Mato Grosso

Silval aconselha Selma a confessar seus crimes e admitir que fez caixa 2 ouça aqui

CAIXA 2

Publicado em: 16 de Abril de 2019
Foto Por: Dayanne Dallicani
Fonte: RD NEWS

O ex-governador Silval Barbosa (sem partido) aconselha que a senadora Selma Arruda (PSL), assim como ele, confesse seus crimes, colabore com o Poder Judiciário e que admita que errou. A declaração de Silval foi dada minutos antes de participar uma audiência de conciliação, na 2ª Vara Especializada de Direito Agrário, em Cuiabá.

Ele tenta um acordo com membros do MST que invadiram a fazenda que ele entregou como parte do acordo de restituição ao erário público pelos crimes de corrupção que cometeu enquanto era governador.

Diante da cassação de Selma no TRE-MT, por crime de caixa 2 e abuso de poder econômico, Silval disse que a magistrada aposentada praticou algo muito grave. Antes preso e no banco dos réus, Silval foi julgado pela então juíza da 7ª Vara Criminal Selma Arruda. Selma nega os crimes e garante reverter a punição no TSE. “Eu não meço ela com minha régua. Ela se julga tão conhecedora da lei e praticar os crimes que foram praticados é muito grave”- ouça abaixo.

 

Silval, por sua vez, admite que praticou alguns crimes, mas que está com a consciência tranquila porque está colaborando com o Poder Judiciário. Em 2017, o ex-governador assinou acordo de colaboração premiada, que o livrou de penas mais duras pelos crimes de corrupção e formação de quadrilha.

“Ela (Selma) deveria fazer o mesmo, confessar que errou, que cometeu caixa 2. Uma campanha extemporânea com recursos que só ela sabe explicar. Eu estou tranquilo porque estou colaborando com a Justiça. É isso que ela deveria fazer”, disse.

Conhecida como "Moro de saias" (alusão ao ex-juiz federal Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça), Selma atuou nas ações que culminaram, por mais de uma vez, na prisão de Silval. À época, ganhou notoriedade nacional, fato que utilizou para se lançar na vida política e ser bem sucedida como candidata a senadora, em 2018, quando ainda contou com o fator Jair Bolsonaro, eleito presidente, em sua campanha.

Silval, por sua vez, segue em prisão domiciliar e está morando em Matupá (a 681 km de Cuiabá), onde está desde o final de 2018 - aguarda progressão de pena. Após quase dois anos preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), Silval cumpre pena pelos crimes de organização criminosa, concussão e lavagem de dinheiro. Para permanecer em prisão domiciliar, o ex-governador fez acordo no qual devolveu cerca de R$ 46 milhões em bens, entre os quais a fazendo que está invadida pelo MST. Além disso, até 2022, se comprometeu a devolver R$ 24 milhões à Justiça, totalizando R$ 70 milhões.