Base e oposição criticam situação da Saúde e podem “trancar” pauta

Publicado em: 24 de Maio de 2017
Foto Por: Assessoria
Fonte: Midia News
O deputado Mauro Savi:

Janaina disse que saída para Mato Grosso seria o vice, Carlos Fávaro assumir o Governo

Parlamentares da base e da oposição ao governador Pedro Taques (PSDB) utilizaram a maior parte da sessão ordinária na noite desta terça-feira (23), na Assembleia Legislativa, para tecer duras críticas à saúde pública de Mato Grosso.

Os deputados listaram uma série de situações ocorridas em todo o Estado, classificaram o setor como “vergonhoso” e ameaçaram “trancar” a pauta de votação do Legislativo enquanto os problemas não forem solucionados pelo Executivo.

Um dos casos citados na tribuna foi o desabafo do diretor-técnico do Hospital Regional de Sorriso, o médico Roberto Satoshi que, chorando, expôs a situação caótica da unidade (veja link abaixo).

“Chega ao cúmulo de a população formar grupos no WhatsApp para arrecadação de dinheiro para comprar oxigênio, fraldas geriátricas, papel higiênico, alimentação, para não deixar pessoas morrerem dentro do hospital. É obrigação do Estado cuidar disso”, disse o deputado Mauro Savi (PSB).

“Nunca passei tanta vergonha na minha vida do que nesses últimos meses. Fui para Sorriso, não sai na rua. Peço ao governador que tire dinheiro de qualquer lugar e que pague a Saúde, que faça sua obrigação. Pedimos ao governador que nos ajude, que direcione algum dinheiro, seja da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Justiça, de qualquer canto, mas, pelo amor de Deus, pague a Saúde deste Estado. Não suportamos mais, somos cobrados diuturnamente pelas pessoas”, afirmou.

Mauro Savi disse, ainda, que cabe aos parlamentares “pressionar” o Governo para que os recursos sejam pagos e ainda criticou o secretário de Estado de Saúde, Luiz Soares.

“Não temos a chave do cofre, temos a única coisa que podemos usar: a pressão. Não sou contra o Governo, mas não podemos passar o que estamos passando. O secretário de Saúde deve ter merda na cabeça e o rei na barriga. Que ser humano é esse que não respeita as pessoas?”, questionou.

“Fávaro no Governo”

A deputada Janaina Riva (PMDB) sugeriu que os colegas façam o sobrestamento da pauta e não votem absolutamente nada enquanto o impasse perdurar.

“Tem gente que fala que a oposição faz politicagem. Não estamos pedindo nada em troca, só queremos que o povo seja bem atendido. Não queremos ver o Pronto-Socorro de Cuiabá sendo chamado de matadouro, não queremos ver pessoas morrendo”, disse.

“Vamos sobrestar a pauta desse parlamento e não votamos absolutamente nada até resolver o problema da Saúde. Esse é o único respaldo que podemos dar ao povo de Mato Grosso. Talvez, a saída de Mato Grosso seja Carlos Fávaro. O vice tem que assumir a responsabilidade que fez com povo. Ele pediu voto junto com o governador”, afirmou.

 Assessoria

Janaina Riva

A deputada Janaina RIva: "Vamos sobrestar a pauta desse parlamento e não votamos nada até resolver o problema da Saúde"

A sugestão de sobrestamento de pauta foi defendida por outros parlamentares, como Oscar Bezerra (PSB).

“Talvez a solução seja travar o ‘negócio’. É um mecanismo que o Parlamento tem, sim, para atingir seus objetivos. Não estamos falando aqui em rodovia, em curso para universidades, estamos falando de saúde, falando de vidas das pessoas. A situação não é mais suportável. A base não consegue suportar”, afirmou ele.

“Coaduno no sentido de que precisamos sobrestar a pauta desta Casa de Leis, porque somos cobrados cotidianamente da sociedade de Mato Grosso. Chegamos a uma situação de caos. Mato Grosso mergulhou no fundo do poço em todas as áreas. Essa Casa precisa fazer sua parte”, emendou Valdir Barranco (PT).

 “Genocídio”

Outro que usou a tribuna nesta noite foi o deputado José Domingos Fraga (PSD). Ele disse estar “cansado” de bater na “mesma tecla” e de cobrar do Executivo uma atenção maior com a Saúde.

Ele disse, inclusive, que vem sendo taxado de “incompetente” e “pelego” em sua base eleitoral (Sorriso), em razão das séries de problemas no setor na cidade.

“Nada tem acontecido na Saúde deste Estado. Cansei de bater na mesma tecla. Se depender deste parlamentar -  vou ouvir o presidente do meu partido –, mas se não tiver solução, não voto nada nesta Casa. Não contem com Zé Domingos, porque uma cidade que ajudei a construir [Sorriso] hoje estou proibido de entrar”, disse.

“Estou passando como incompetente, como pelego. Não sou nada disso. Amo o Estado, acredito nesse Governo, mas acima das obras de infraestrutura, temos que olhar o patrimônio mais rico que são as pessoas. A população está morrendo a mingua. Não podemos aceitar essa situação. Precisamos sentar e buscar uma proposta definitiva, pois a Saúde é um direito de todos. Não podemos cometer um genocídio por omissão da parte de nós governistas”, concluiu.

“Enfrentamento”

Por fim, o deputado Zeca Viana (PDT) defendeu que em dados momentos, em que há um “caos” em setores do Estado, cabe ao Legislativo fazer o enfrentamento ao governador.

“Esta Casa tem que tomar coragem e, às vezes, ir para o embate ao governador, para que assuma a responsabilidade que é dele. Não trm cabimento a Saúde ficar numa penumbra dessa", disse.

"Precisamos agir imediatamente em prol do povo. Temos que esquecer de chamar o governador de bonito, de bonzinho e fazer com que ele cumpra seu dever de Governo, cumpra com a Constituição, fazendo os repasses dos hospitais”, completou.