26 de fevereiro de 2026

Nova Ubiratã

Agronegócio

Desafios logísticos comprometem o escoamento da safra brasileira

O escoamento dessa produção ainda é um desafio significativo para o país.

Imagens da internet

A produção agrícola brasileira alcançou números recordes em 2023, com um crescimento de 15,1%, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária. No entanto, o escoamento dessa produção ainda é um desafio significativo para o país.

 

O transporte predominantemente rodoviário, aliado à escassez de ferrovias e hidrovias, bem como as dificuldades de acesso aos portos, especialmente na região norte do país, têm sido os principais obstáculos para o escoamento eficiente das safras e as exportações.

 

Dados da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) revelam que a região acima do paralelo 16ºS, que abrange parte de Mato Grosso e do Matopiba (Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia), produz 69% de toda a soja e milho do país. No entanto, apenas 34% desses grãos são escoados pelos portos do Arco Norte, que se estendem do Amazonas à Bahia.

 

Durante uma audiência pública na Comissão de Agricultura (CRA), a assessora técnica da CNA, Elisangela Pereira Lopes, alertou para os desafios iminentes: “Se nada for feito nos próximos dez anos, o Brasil já entrará em colapso, porque nós não temos condições. É muito difícil para nós produtores, porque além de estarmos preocupados ‘da porteira para dentro’, temos que estar preocupados ‘da porteira para fora’.”

Embora tenha havido avanços legislativos e investimentos em infraestrutura portuária, como a Lei dos Portos (Lei 12.815/2013) e o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), os gargalos persistem.

 

A questão das hidrovias também é crítica, especialmente após a seca severa que interrompeu o tráfego nos rios da região amazônica durante o verão. A gerente técnica da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Ana Paula Gadotti, ressaltou a necessidade de investimentos em infraestrutura aquaviária para garantir a segurança e a previsibilidade no escoamento da carga.

Ela explica que a concessionária Via Brasil, responsável pela rodovia na parte que liga Mato Grosso ao Pará, tem como obrigação, por contrato, executar os acessos até as regiões dos terminais portuários às margens do Rio Tapajós. No entanto, a concessionária não apresentou um cronograma detalhado para a execução dos acessos a dois portos.

Apenas o acesso ao terminal de Mirituba está em andamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Além das hidrovias, as rodovias enfrentam desafios, como exemplificado pela situação na BR 163, um dos principais corredores logísticos do Arco Norte. A falta de conclusão de acessos aos portos compromete ainda mais o escoamento da safra.

Diante desse cenário, líderes políticos e especialistas destacam a urgência de investimentos em infraestrutura, especialmente no modal ferroviário. A suspensão do projeto da Ferrogrão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi duramente criticada, destacando a necessidade de superar obstáculos burocráticos para promover o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

 

A decisão sobre o futuro do projeto é esperada para o fim de março, enquanto o setor agropecuário aguarda ansiosamente por soluções que garantam o escoamento eficiente da produção e a manutenção do crescimento recorde alcançado nos últimos anos.

Fonte: Momentomt

Escrito por: Momentomt

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