10 de fevereiro de 2026

Nova Ubiratã

Agronegócio

ERAI MAGGI RESPIRA FUNDO NO SALÃO DO ITAMARATY AO CREDITAR A LULA O CRESCIMENTO DO AGRO E DEFENDER EXIGÊNCIAS AMBIENTAIS

CDESS apresenta sugestões de politicas publicas, CONSELHÃO ENTREGA PROPOSTAS AO PRESIDENTE

Foto por: Reprodução

Foi início da tarde desta segunda-feira, entre uma xícara de café e um fiapo de luz entrando pela janela, que recebi do professor Elismar Bezerra o vídeo que, como se dizia nos antigos garimpos do Norte, “dava ouro e dava risada ao mesmo tempo”.

Era um recorte do canal Fatos Políticos, no TikTok, postado por Marcos Miranda, onde surgia — vejam só — Erai Maggi, o velho trubufu é barão do agro de Mato Grosso, rasgando seda para Lula como quem descobre, na beira do curral, que a porteira que sempre xingou foi justamente a que o impediu o
Agronegócio de cair no barranco.

E o palco dessa alegoria brasileira? A 6ª Plenária do Conselhão, realizada no dia 4 de dezembro de 2025, no Palácio do Itamaraty. Tema: Brasil Justo e Solidário. Nome bonito, desses que dão coceira de esperança nas costas do país. Lula estava lá; Haddad, Alckmin, Gleisi, Janja, ministros, assessores… menos a poeira — porque o Itamaraty não permite poeira, apenas lustro e história.

Mas no vídeo, no outro canto da cena, estava o Erai Maggi, quase em transe, reconhecendo — entre tropeços de língua e memórias de financiamento chorado na mesa do gerente de banco— que o agro brasileiro cresceu justamente porque Lula criou as condições para isso. O homem dizia, com a fala arranhando como roda de carroça, mas firme como quem carrega uma verdade nas costas:

A ÓPERA DESENGONÇADA DO DISCURSO DE ERAI MAGGI

Erai começou a falar como quem tropeça nos próprios sapatos, mas decide continuar caminhando mesmo assim:

— “Obrigado, presidente Lula… o Brasil, graças a Deus, no setor agro, está bem, presidente. Você, com seus ministros, o Carlos Fávaro, nosso amigo regulador…”

Era o prólogo, uma reverência. Mas logo veio a torrente.

Ele lembra que o agro “não cresceu por sorte”, que não foi só o “burro da carroça” que puxou:

— “É produção porque todos trabalham… mas não é só isso. Teve algo. Teve sorte? Lógico. Mas teve mais.

O “mais”, que ele tenta nomear entre tropeços de memória e de gramática, é justamente a política pública. E aí começa a confissão que vale esta crônica inteira.

1. O reconhecimento da biotecnologia trazida sob normas

Maggi admite que o salto do agro só foi possível porque Lula trouxe:

— “Veio biotecnologia melhor que da França, com segurança… teve normativa pra isso… teve estudo.”

Ou seja: sem regulação, não tinha semente de ponta, não tinha produtividade, não tinha exportação.

2. O controle de defensivos — e o fim do produto clandestino

O barão soja de MT continua:

— “Não é produto liberado de qualquer jeito… não vinha molécula cancerígena… teve agência, teve estudo…”

Aqui ele descreve, ainda que sem dizer o nome, as normas de controle de agrotóxicos implementadas nos governos Lula — reforçadas depois nos fóruns internacionais.

3. A segurança jurídica para crédito

Erai lembra o passado como quem conta história de guerra:

— “Eu chorei pra conseguir financiamento… chorava na frente do gerente…”

E contrapõe ao que veio depois:

— “Teve normalização pra CPR… teve segurança… não teve mais evasão em terra produtiva… aí veio o dinheiro dos bancos internacionais.”

Explicação direta:
o Estado parou a grilagem em áreas produtivas, deu segurança jurídica, organizou crédito e atraiu capital global.

4. O financiamento público de longo prazo

Ele fala quase com devoção:

— “Financiamento de 17 anos… 3 de carência… 3 de juro… pro cooperado, pro produtor…”

Esta fala se refere às linhas BNDES criadas e fortalecidas nos anos Lula, responsáveis por modernizar boa parte do parque de máquinas agrícolas do país.

5. A explosão de produção e o orgulho industrial

E ele se empolga:

— “Milhões de toneladas… maquinário exportando pro mundo inteiro… tecnologia embarcada…”

O que está dizendo é cristalino:
o agro virou potência porque o Brasil virou potência industrial ligada ao agro.
E isso não nasce da cartilha do mercado sozinho — nasce de política industrial, crédito e Estado forte.

6. O reconhecimento da política ambiental como motor da exportação

Então vem a verdadeira joia:

— “Ficamos chateados com a exigência ambiental… enchera o saco… mas foi bom, presidente. Foi a solução.”

Aqui, enfim, o agro admite:
sem controle, sem análise, sem floresta preservada, a Europa não compra, a China desconfia, e o maquinário encalha.

7. A COP30 aparece — como medo e como destino

Maggi, com receio do fim inevitável do petróleo, diz:

— “A Copa 30 vai mudar. Vai parar com isso. Vai ter que fazer mudança logo logo…”

E desemboca, quase num sussurro de iluminação:

— “Nossa fonte energética é o agro. Nós vamos resolver isso também.”

Em meio ao esforço de demonstrar que o avanço do agronegócio gerou efeitos para além das grandes fazendas, Erai Maggi recorreu a um exemplo doméstico e direto. Disse ele: “todo o Brasil ganhou com isso… até a doméstica ganhou, tivemos alimentos baratos também, todos nós ganhamos com isso”. A frase, colocada como argumento de que o aumento da produção beneficiou diferentes camadas da sociedade, buscava mostrar que a política agrícola ampliou renda, reduziu custos e movimentou a economia de forma difusa. A escolha das palavras, ainda que revele certo tom paternalista, expõe a tentativa de Maggi de associar o sucesso do agro à melhora do cotidiano de trabalhadores urbanos de baixa renda, inserindo a empregada doméstica como símbolo desse alcance social ampliado.

O VETO DE LULA — O PONTO CEGADO PELO AGRONEGÓCIO

Quando Lula responde ao discurso de Erai Maggi, ele revela o ponto político mais importante da noite:

🔎 O veto foi sobre mudanças no Código Florestal e na legislação ambiental que afrouxavam regras de proteção — e colocariam em risco exportações do próprio agro.

Em 2025, setores da bancada ruralista aprovaram dispositivos que:

* reduziam exigências de licenciamento;

* flexibilizavam regras para uso de agrotóxicos;

* permitiam ocupação ou regularização em áreas sensíveis;

* limitavam poder fiscalizatório dos órgãos ambientais.

Lula vetou trechos inteiros.
E disse:

— “Não vetamos porque somos contra o agronegócio. Vetamos para proteger o agronegócio.”

Porque sabia que:

a Europa não aceita desmatamento;

a China exige rastreabilidade;

os EUA vinculam tarifa à sustentabilidade.

Lula expôs o paradoxo:

— “A mesma gente que derrubou meu veto depois vem me pedir para ligar pra Europa, pra China, pra liberar a compra da soja deles.”

O MOMENTO DO PRESIDENTE LULA

Quando Lula respondeu, a atmosfera pareceu mudar de densidade. Ele já não falava só para os presentes; falava para um Brasil inteiro que, de tempos em tempos, precisa ser lembrado de que as coisas não são simples nem gratuitas. Disse, com aquele tom de quem conta história para netos, mas assina decreto com pulso firme:

— “Nós vetamos não porque somos contra o agronegócio, mas para proteger o agronegócio.”

Era como se dissesse:

“Olha, meus filhos, sem floresta não tem exportação; sem clima estável não tem soja; sem regra não tem crédito; e sem crédito não tem Trator 4x4 cuspindo milhões de toneladas.”

Ou seja:
o agro político derruba o veto — e o agro econômico implora para que o presidente salve a exportação.

— “Engraçado… quem fala mal da gente é quem depois pede pra eu ligar pro Xi Jinping, pra Europa, pros árabes… pra liberar a compra da soja deles.”

Ah, Brasil. Esse país onde até o contrariado pede favor quando a safra está parada no porto.

O REINO DO AGRO E A LUZ DO ITAMARATY

O discurso do Maggi, entre cambaleante e revelador, ganhou um brilho quase poético quando ele admitiu que até a “exigência que encheu o saco” — as regras ambientais — foi justamente o que permitiu ao Brasil vender para o mundo.

Eu, João Guató, ouvi o discurso do Erai Maggi como quem escuta o canto de um rio depois da cheia:
a verdade, quando aparece, vem forte e arrasta.
Ali, no salão do Itamaraty, um fio se alinhavou:
o agro que sempre gritou contra as normas agora reconhecia que só cresceu porque elas existiram.

O vídeo enviado por Elismar, na humildade de um link de celular, capturou um momento quase literário da República: “o maior expoente do agronegócio admitindo que só existe agronegócio porque houve Lula — e porque houve normas ambientais**.

E sentado à borda do dia, conclui:

Este país é feito de contradições que tropeçam, mas avançam.
Quando Erai Maggi diz que “a exigência ambiental encheu o saco, mas foi boa”, ele está lavrando, sem querer, uma poesia de reconciliação.

E quando Lula explica que protege o agro ao vetar o retrocesso ambiental, ele está lembrando ao país que crescimento sem regra é queimada — luz forte, rápida, e destruidora.

A verdadeira chama que sustenta o Brasil não arde;
cresce, fotosintetiza, respira, se renova — e precisa de floresta de pé.

Ali, no Itamaraty, entre mármores e lustres, o Brasil deu um raro passo de sinceridade consigo mesmo. 

 

Fonte: Canal gov

Escrito por: Por João Guató

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