Economia
Data reforça força do varejo, mas cenário de orçamento apertado e endividamento acende alerta entre consumidores
O Dia das Mães deve consolidar mais uma vez sua posição como a segunda data mais importante para o varejo nacional, com expectativa de movimentar R$ 37,91 bilhões em 2026. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, cerca de 127 milhões de consumidores devem ir às compras, sendo que 78% pretendem adquirir ao menos um presente.
As mães seguem como principais homenageadas, citadas por 74% dos entrevistados, seguidas pelas esposas (19%) e sogras (15%). O gasto médio previsto é de R$ 294, com destaque para os homens, que pretendem desembolsar, em média, R$ 339. No total, cada consumidor deve comprar cerca de 1,68 presente.
O ato de presentear é impulsionado principalmente pelo sentimento de gratidão, apontado por 43% dos entrevistados, enquanto 27% consideram a data um gesto simbólico importante e 24% afirmam ter o hábito de presentear pessoas queridas.
Apesar da intenção de consumo elevada, o cenário econômico pesa nas decisões. Para 66% dos consumidores, os preços estão mais altos neste ano, enquanto apenas 5% percebem redução. Ainda assim, 39% pretendem gastar mais do que em 2025, motivados pela busca por presentes melhores (57%) e pelo encarecimento dos produtos (45%). Por outro lado, 19% planejam reduzir gastos, citando necessidade de economizar, crise financeira e endividamento.
Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, a data segue como motor do varejo no primeiro semestre, mas exige cautela diante do orçamento mais apertado das famílias.
Entre os itens mais procurados, lideram produtos de moda (53%), seguidos por perfumes e cosméticos (50%). Chocolates e flores aparecem com 24% cada, enquanto experiências como jantares, viagens e serviços de bem-estar somam 19%.
A pesquisa também revela mudanças no comportamento do consumidor. Embora 37% considerem comprar produtos usados em ótimo estado, a maioria (58%) ainda prefere itens novos, preservando a força do varejo tradicional. Já o dinheiro ou Pix surge como alternativa para 47% dos entrevistados, especialmente entre os mais jovens, embora 54% ainda valorizem o simbolismo do presente físico.
A jornada de compra é cada vez mais híbrida. As lojas físicas continuam predominantes, com 79% das intenções, especialmente em shopping centers e comércios de rua. No ambiente digital, 47% devem comprar online, com destaque para aplicativos, sites e redes sociais como o Instagram.
O consumidor está mais atento aos gastos: 77% pretendem pesquisar preços antes de comprar, sendo que 73% iniciam essa busca com até 15 dias de antecedência. A internet é o principal canal de pesquisa, mas o varejo físico ainda mantém relevância na comparação de preços.
Na forma de pagamento, há equilíbrio entre compras à vista e parceladas. O Pix lidera entre os pagamentos imediatos, utilizado por 52%, enquanto o cartão de crédito parcelado aparece como principal opção entre os que optam por dividir o valor, com média de quatro parcelas.
Mesmo assim, um dado chama atenção: 64% dos consumidores admitem parcelar compras sem garantia de pagamento. Esse grupo se divide entre os que planejam cuidadosamente, os que acreditam que conseguirão se reorganizar depois e os que priorizam a satisfação imediata.
A pesquisa revela um cenário preocupante de endividamento. Entre os que pretendem comprar presentes, 39% já possuem contas em atraso, e 72% desses estão negativados. Ainda assim, 87% afirmam que “darão um jeito” de presentear, mesmo diante de dificuldades financeiras.
Esse comportamento leva muitos consumidores a reorganizar o orçamento, cortando gastos com lazer, adiando compras pessoais ou até priorizando o presente em detrimento de outras obrigações. Em alguns casos, há ainda quem recorra a renda extra, divisão de custos ou uso de crédito de terceiros.
Outro fator relevante é a influência das redes sociais. Cerca de 30% dos entrevistados afirmam se sentir pressionados a gastar mais por conta de conteúdos publicados em plataformas digitais. Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, esse cenário aumenta o risco de compras por impulso e reforça a necessidade de planejamento financeiro.
Mesmo diante das dificuldades, a data segue carregada de significado. A maioria dos consumidores planeja comemorar em família, seja na casa da mãe (42%), na própria residência (29%) ou em almoços fora (10%), mantendo viva a tradição de celebrar o vínculo afetivo que sustenta o Dia das Mães no Brasil.
Fonte: CENÁRIO MT
Escrito por: Redação
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