02 de outubro de 2026

Nova Ubiratã

Economia

Recesso escolar injeta fôlego financeiro no comércio de Mato Grosso

Sondagem aponta alta nas vendas de até 20% em julho; faturamento extra vira estratégia para reverter endividamento fiscal que atinge metade do setor

A mudança nos hábitos das famílias durante o período de férias escolares tornou-se o principal motor econômico para o setor de gastronomia e entretenimento em Mato Grosso.

Um levantamento inédito realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que mais de seis a cada dez empresários (62%) do estado projetam um incremento na receita ao longo deste mês.

O índice de confiança do comércio mato-grossense superou a média nacional, que fechou em 54%. Geograficamente, no entanto, o desempenho do setor deve desenhar cenários opostos no estado.

Termômetro do Mercado (Abrasel)

Indicador de Desempenho Cenário em Mato Grosso Cenário Nacional
Expectativa de aumento no faturamento 62% dos estabelecimentos 54% dos estabelecimentos
Projeção de crescimento de até 20% 52% dos negócios 44% dos negócios
Desempenho superior a julho do ano anterior 63% das empresas (Tendência positiva)

Estratégias de retenção e apelo esportivo

Para contrapor o fluxo de moradores que deixam o estado, a tática dos proprietários de bares e restaurantes migrou para a diversificação de atrativos no salão. Estabelecimentos focados no público familiar apostam em cardápios promocionais e programações sazonais.

De acordo com a análise da Abrasel-MT, o recesso gera um fenômeno de migração interna e evasão de consumidores. Enquanto municípios com vocação para o ecoturismo e praias de rio registram picos de demanda, centros urbanos menos turísticos enfrentam esvaziamento parcial devido às viagens dos moradores locais.

Já os bares utilizam o calendário de competições esportivas como principal isca de consumo. Dias de transmissões de grandes partidas de futebol têm funcionado como um ponto de equilíbrio para manter a rotina de movimentação das mesas e o giro de estoque aquecidos, mesmo em semanas de menor circulação nas cidades polo.

O gargalo tributário nos bastidores do otimismo

Apesar das projeções de salões cheios e do histórico recente positivo — visto que 53% das empresas já haviam registrado evolução nas vendas em maio na comparação com abril —, o setor opera sob um severo estresse financeiro estrutural. A escalada dos custos operacionais e a impossibilidade de repassar integralmente a inflação dos alimentos para os menus limitam a lucratividade das empresas.

Essa pressão contínua reflete diretamente no balanço contábil do segmento: 51% dos bares e restaurantes mato-grossenses possuem contas ou obrigações financeiras em atraso. O principal entrave está na quitação de obrigações com o fisco:

  • 83% das empresas do grupo de inadimplentes relatam passivos com impostos federais;

  • 48% enfrentam dificuldades para honrar tributos de competência estadual.

Diante desse quadro de endividamento, o superávit financeiro gerado pelo recesso de julho ganha contornos de urgência administrativa, sendo visto pelo mercado como a principal janela de oportunidade do ano para a recomposição do fluxo de caixa e a renegociação de débitos tributários.

Fonte: CENÁRIO MT

Escrito por: Rebeca Moraes

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