Esporte
Treinador espanhol chama protagonismo com táticas revolucionárias, como a de cobrar tiros de meta para fora para direcionar o jogo e neutralizar adversários
A conquista do bicampeonato da Champions League pelo Paris Saint-Germain, no último sábado, ficará marcada pelo trabalho coletivo, pela capacidade de pressão alta e contrapressão imediata, mas principalmente pelas ideias irreverentes de Luis Enrique.
Em um time em que os principais jogadores desempenham diferentes funções e que não faz uma ode ao brilho individual dos craques, o treinador foi alçado ao patamar de um dos maiores da história da Liga dos Campeões com um trabalho autoral e, muitas vezes, com ações nada convencionais.
O gol cedo do Arsenal, feito por Kai Havertz aos seis minutos na única finalização direcionada ao gol da equipe inglesa durante a partida, condicionou de certa forma a atuação do PSG na final.
Mas, com paciência, ocupando espaços e tendo a posse de bola como ferramenta de controle, o Paris Saint-Germain de Luis Enrique soube utilizar a estrutura variável de suas peças para dominar o jogo e vencer nos pênaltis.
O empate veio no segundo tempo, aos 20 minutos. Dembélé tabelou com Kvaratskhelia e sofreu o pênalti cometido por Mosquera, convertido pelo próprio atacante francês. Depois, com o 1 a 1 no placar, prevaleceu a frieza psicológica nas cobranças alternadas de uma equipe que venceu as últimas seis disputas de pênaltis que participou.
Contra o Arsenal, antes do gol de Havertz, Safonov chutou para fora o primeiro tiro de meta do PSG na partida. O gol precoce, porém, acabou mudando o contexto do jogo e não ofereceu os gatilhos necessários para que o time francês coordenasse as ações a partir dos tiros de meta do goleiro russo.
Outro traço marcante do trabalho de Luis Enrique é a ausência de hierarquia intocável dentro do elenco. O treinador não hesita em substituir os principais nomes quando entende que o contexto da partida exige mudanças. No primeiro jogo da semifinal contra o Bayern de Munique, por exemplo, tirou Kvaratskhelia.
Na volta, foi a vez de Dembélé deixar o campo. Na decisão contra o Arsenal, o PSG terminou a partida sem Dembélé, Kvaratskhelia e Vitinha, três dos pilares do time. A sequência de decisões reforça a confiança do treinador na força coletiva do elenco e na ideia de que nenhum jogador está acima do plano de jogo.
Se antes o PSG era visto como uma equipe que dependia quase exclusivamente do talento individual de grandes estrelas para vencer os rivais, nas últimas duas temporadas, graças ao trabalho de Luis Enrique, o clube se transformou em uma potência multicampeã baseada no comportamento coletivo.
Em um time em que até mesmo o último vencedor da Bola de Ouro, Dembélé, precisa correr pelos companheiros, o PSG de Luis Enrique ficará eternizado como uma equipe de funções.
Um time que muitas vezes pode não ser encantador ou midiático, como de outros treinadores renomados, mas que se mostra extremamente eficiente graças a ideias nada convencionais de um dos melhores técnicos da atualidade. Mais do que um bicampeonato, Luis Enrique deixa um aprendizado: grandes equipes não são feitas apenas de craques, mas também de convicções.
Fonte: Ge
Escrito por: Gustavo Garcia
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