“Mato Grosso tem tudo para ser referência no paÃs com a implantação de biodigestores. Entre as vantagens competitivas, em relação aos demais Estados, estão o clima quente e a grande quantidade de animais”. É o que garante o gerente do Centro de Estudos do Biogás, da Fundação Parque Tecnológico de Itaipú, Ansberto do Passo Neto, sobre a viabilidade sustentável e econômica dos biodigestores na produção de energia.
Neto citou ainda, durante o 1º Seminário de Biodigestores de Mato GrossoÂ’ promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf), nesta terça-feira (22/11), experiências bem sucedidas realizadas no Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e no Rio Grande do Sul onde os Estados aproveitam os dejetos de animais (bovinos e suÃnos) e transformam em energia elétrica, através do biogás, que é utilizada na propriedade e o excedente comercializado diretamente nas concessionárias de energia.
O secretário da Sedraf, José Domingos Fraga Filho, destacou a importância do evento com a presença de pesquisadores e professores renomados no paÃs que apresentaram exemplos bem sucedidos e soluções capazes de possibilitar a implantação e o desenvolvimento de atividades consideradas altamente poluidoras.
“Atualmente estamos desperdiçando matéria-prima quando jogamos fora os dejetos de animais que hoje são considerados fonte de riqueza na geração de emprego, renda, preservação ambiental e na qualidade de vida dos produtores rurais”, pontuou.
VANTAGENS
Só para se ter uma ideia, uma propriedade rural sustentável que implanta um biodigestor - equipamento que produz biogás, uma mistura de gases produzida por bactérias que digerem matéria orgânica.
Se instalado nas propriedades, pode transformar dejetos animais (esterco e urina) em combustÃvel e energia elétrica. Além disso, os efluentes do biodigestor possuem propriedades fertilizantes. O lÃquido contém elementos quÃmicos como nitrogênio, fósforo e potássio em grandes quantidades que podem ser utilizados na adubação de espécies vegetais através da fertirrigação.
O pesquisar da Embrapa de Concórdia, Santa Catarina, Airton Kunz, explicou que dependendo do tamanho do biodigestor pode levar entre 30 e 60 dias para ser construÃdo e cerca de 30 dias para começar a operar, perÃodo de adaptação de todo o sistema.
EXEMPLO DE SUCESSO EM MATO GROSSO
Mato Grosso figura em quinto lugar no ranking nacional de rebanho de suÃno e para evitar que os dejetos dos animais fiquem a mercê do meio ambiente, o diretor da Associação dos Criadores de SuÃnos de Mato Grosso (Acrismat) e presidente da Cooper Mutum, Valdomir Natal Ottonelli, revelou que no municÃpio de Nova Mutum foram construÃdos, há seis anos, cerca de cinco biodigestores.
A preocupação inicial era exclusivamente ambiental, mas depois com a geração da fonte de energia elétrica, a granja passou a utilizar a matéria-prima e o excedente é usado na biofertilização do eucalipto na cooperativa que é transformado em fonte de renda, através da madeira.
Escrito por: Sandra Santhanna - de Cuiabá