13 de maio de 2026

Nova Ubiratã

Mato Grosso

Secretária de Taques faz turismo na Europa. Governador perde o comando do estado

A emblemática secretária de transparência e Combate à Corrupção viaja para Hungria, mas esquece de avisar quem paga seu salário

Da editoria / Muvuca Popular - Cara deste governo, pela proximidade com o governador Pedro Taques, a secretária Adriana Vandoni, titular da Secretaria de Estado do Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção (SGabTCC), noticiou em rede social que tirou férias em setembro. O que é espantoso. Não que ela tenha saido e ninguém sentido sua falta. É que enquanto servidora pública ainda não completou um ano de trabalho, no jargão burocrático não completou o “período aquisitivo”, ou seja, a licença para as férias é concedida após 12 meses de trabalho.

O problema do gozo desse direito é a falta de informação justamente dessa licença à secretária Vandoni, e mais ainda, da pasta icônica do governo Taques, a Secretaria de Transparência e Combate à Corrupção.

O governo de Mato Grosso fala muito em transparência. Mas poderia praticar mais. Por exemplo, o próprio governador teria levado discretamente, ou no popular “só no sapatinho”, a própria esposa e alguns componentes do governo, em maio, para os Estados Unidos não fosse o MPopular noticiar os selfies da viagem. Aliás, a viagem do governador foi para um evento particular de cunho político-partidário, quando foi acompanhar a palestra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Grão-Tucano que depois nem se abalou de São Paulo para Cuiabá para endossar a filiação do ilustre governador ao PSDB.

Os dois casos não são únicos no governo. Alguns boatos dão conta que o secretário de Segurança Pública (SESP) também teria tirado férias e ressurgido como titular da pasta para condenar a ação do jornalista da TVCA Alex Barbosa no episódio do pó de giz. Tudo bem que Mauro Zaque, ao contrário de Adriana Vandoni, é servidor público há muito tempo. Mas percebe-se que há um esforço muito grande, tanto dos secretários quanto do chefe do estado em agir “só no sapatinho”, omitindo “detalhes” da sua vida funcional, enquanto servidores públicos.

A novata servidora pública Adriana Vandoni, há nove meses no cargo em comissão, parecia se “gambar” de fazer turismo fora da rota Londres-Paris-Roma. Foi direto para Budapeste, capital da Hungria, onde observou os refugiados ao vivo, e não pela televisão. Como ela disse: “Como perder a oportunidade de viver esse momento histórico que, acredito eu, é o início de uma mudança geopolítica da região”. Depois dessa quem diria que não está antenada aos eventos mundiais? 

O problema é que não está antenada aos eventos locais. A secretária de Combate à Corrupção sequer se dignou ir ao 2º Seminário de Combate e Controle da Corrupção no Brasil, que aconteceu aqui mesmo, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (16).

A ausência, ou falta de, transparência no governo

Mas tudo começa com o governador. Taques, que começou o governo tirando fotos comendo quentinha e cumprimentando gente na feira, já não esconde mais o esnobismo de torrar o dinheiro público com coisas banais. São mais de R$ 15 milhões gastos em propaganda e 113 servidores na Secretaria de Comunicação que devem agradar ao governador. E se omite coisas no campo funcional, imagina nos números que podem queimá-lo.

A imprensa – quando erra por tentativa de acertar, comete um deslize que só prejudica o veículo, com a perda de credibilidade dos seus leitores. Um governo quando erra, quando omite ou distorce informações, ou não informa direito, comete falta com todos os seus eleitores, e mais ainda, todos os cidadãos do estado.

O governo não revelou que pagou mais de R$ 500 milhões às empreiteiras (algumas investigas pela PF), e no momento em que acusava o governo anterior de gastos indevidos. Também passou longe da notícia divulgada, e documentada, por este portal, de que perdoou alguns milhões das dívidas da Unimed. Ato contínuo, até agora nada se falou sobre a licitação de combustíveis, vencida pelo posto Marmeleiro cujo resultado antecipado também foi dado por aqui, revelando até os detalhes por onde se escorou o direcionamento de R$ 150 milhões.

Por outro lado, o governo não tem o menor pudor em dizer que inaugurou leitos de UTI em Rondonópolis, mesmo que fossem em hospital particular. O mesmo caso da inauguração de uma UTI em hospital particular de Sinop. O cidadão-eleitor mais desatento poderia pensar que o governo está ajudando com repasses ou convênios, mas quando líderes políticos do interior (leia-se prefeitos e vereadores) vêm a Cuiabá cobrando dinheiro para os hospitais, mostra que não tem sido bem assim.

Isso na política da Saúde. No caso da Segurança é como divulgou que foram comprados 2.800 coletes à prova de balas, mas não se disse que o pregão foi cancelado, e a compra mesmo não aconteceu. Ficou na intenção. Depois divulgou que adquiriu viaturas para o Corpo de Bombeiros, só não disse que eram carros de passeio. Omitiu dados.

O único documento oficial em que o povo pode acreditar não tem sido confiável, que são os documentos editados pelo Sistema Contábil do Estado (FIPLAN). Há indícios de pagamentos fora do FIPLAN. O portal trasnparência carece de dados e Diário Oficial do Estado (D.O.U) ficou complexo para estabelecer conexões e buscar dados.

A população tem sido pega de surpresa quando aparece algo na imprensa. Isso está errado! É um perfil pernicioso, carente de bajulação. Já demonstra ser um governo de um só mandato e sem rumo, com equipe fraca, que encerra o primeiro ano com a maioria dos seus “jovens especialistas” precisando ser substituídos (pois insubstituíveis nesse governo, apenas o próprio governador Taques e o vice Fávaro, como bem disse outro dia).

A boa notícia é que o povo está ficando cansado disso. Não há mais campo para tantas informações mentirosas e falseadas pela mídia, e ao final deste exercício, no final do ano, já está visível o jeito inconsequente de ser, que no Sul fala que faz no Norte, e no Norte fala que fez no Sul, quando sabemos que não fez absolutamente nada, em lugar nenhum.

O líder do governo, deputado Wilson Santos (PSDB), já disse que a maior obra deste governo será a moralização. Foi uma admissão do fracasso, da incapacidade gerencial, de que não vai fazer nada mesmo!

Outros exemplos

Taques que tanto criticou o viaduto da Avenida do CPA, gastou mais com propaganda do que com a obra para entregar ao povo, isso porque tudo já estava pago e a responsabilidade para a conclusão era da empresa contratada. Ainda assim enrolou a entrega por duas semanas. O governo não sabia se faria um evento público para sua entrega (não fez, ainda bem!). Na dúvida, disse que só recebia obra 100% concluída, e 99% não aceita. Mas aceitou porque quem passa pelo viaduto sente que a pista está irregular, ou seja, não está 100%.

Muvuca Popular é dos poucos independentes, ou seja, é o único veículo de referência crítica ao executivo estadual. Nascemos junto com este governo e ultrapassamos nossas barreiras sem recursos, somente com nossas fontes e muita vontade de dizer a verdade. Então vamos continuar denunciando tudo que o governo está fazendo ou deixando de fazer. Mesmo que a grande imprensa não repercuta as informações, por questões óbvias.

Como já dissemos aqui, Taques só tem 2015 para brincar de governar Mato Grosso porque em 2016 a economia nacional volta a crescer e então deverá acompanhar a nova fase, econômica e política do país. Esperamos que no próximo ano o governador Taques deixe de abraçar o senador Aécio Neves e parta para um entendimento proativo com o Planalto, e não golpista.

Por outro lado, é necessário realizar mudanças internamente no estado, como na máquina fiscal e na interlocução política que não estão boas. Isso porque mais da metade dos seus secretários não são bons (a notícia boa é que possui bons nomes), ou muda, ou entra para história como governador da gestão mais letárgica que Mato Grosso jamais viu.

É necessário cautela com números do governo quando atingimos um patamar de audiência que tem pautado órgãos de controle, ministérios, a política estadual como um todo, além de saber que nossos leitores são servidores públicos, e há um grande número deles que tem esses números na ponta da língua para suavizar eventuais desgastes deste governo.

P.S. A transição do pequeno deslize da Secretária Vandoni, até a somatória dos deslizes do Taques é que não está muito suave. O resultado disso está no rombo da folha de pagamento em valores estratosféricos. Pauta para uma próxima matéria da coluna superdestaque, esta que inauguramos com este texto.

 

Fonte: MUVUCAPOPULAR

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