O ex-presidente da Câmara de Sorriso, Chagas Abrantes (PR), reuniu a imprensa na manhã desta quinta-feira (16/6) para se defender das acusações de desvio de recursos públicos feitas pelo secretário municipal de Indústria e Comércio, Santinho Salerno, que questiona os gastos feitos através de um aditivo de publicidade da câmara na gestão 2010.
O vereador afirma que está sendo vÃtima de um processo de difamação orquestrada por um grupo de pessoas ligadas à Prefeitura de Sorriso. “Não é de agora que existe uma organização na Prefeitura Municipal com o objetivo de comprometer a minha imagem de homem público”, afirma.
Chagas disse que não é a primeira vez que Santinho tenta prejudicá-lo. “Ele já dentro do meu gabinete como presidente realizou gravações onde de, certa forma, tentava corromper a mim e a outros vereadores, e como não conseguiu tenta agora de forma desesperada tentar me comprometer”, analisa.
Na coletiva, Chagas apresentou o depoimento de Adilson Martins, o proprietário da agência de publicidade ARM, que venceu duas licitações para administrar a verba publicitária da Câmara em 2010. “Uma licitação foi de R$ 354 mil, e a Câmara gastou R$ 346 mil. Ou seja, nós gastamos a menos do que foi licitado”.
O vereador apresentou notas fiscais das duas licitações feitas na sua gestão e fez uma comparação mostrando gastos com publicidade de R$ 353 mil 2009, R$ 535,5 mil em 2008 e R$ 508,7 mil em 2006. Durante sua gestão, Chagas afirma que gastou pela contratação dos mesmos serviços R$ 432,1 mil somando os dois contratos licitados.
Sobre os valores recebidos pela TV Sorriso Record, Chagas mostrou cópias de notas fiscais que comprovam que os valores que a emissora recebeu em 2010, durante a sua gestão, eram os mesmos recebidos em 2005, na gestão de Santinho Salerno como presidente da Câmara.
O vereador revela ainda que tentou cancelar a licitação vencida por Adilson Martins, que havia reclamado no depoimento ao Ministério Público da demora de um mês para a assinatura do contrato após vencer a licitação. “Eu achava que era uma empresa que oferecia perigo no que diz respeito à sua questão ética, moral, e por isso demorei um mês para assinar. Eu não queria que esta empresa prestasse serviços para a Câmara, mas infelizmente eu sou sujeito à lei, e ele ganhou legalmente”, comenta, acrescentando que nunca teve um bom relacionamento com Adilson.
Sobre os quatro cheques totalizando R$ 20 mil entregues, Chagas disse que o Adilson iria viajar no dia 21 de dezembro. Explicou que na noite anterior ligou para o empresárioe perguntou se faltava pagar alguém e que Adilson teria confirmado que sim. “Disse: não, você não vai viajar com o dinheiro da Câmara no seu nome. Então pedi a ele que preenchesse os cheques em valores de R$ 5 mil cada, que ficaria mais fácil para trocar no banco e pagar os fornecedores”, explica.
Chagas atesta que está com os recibos dos pagamentos efetuados aos fornecedores. Dois desses cheques foram trocados por uma funcionária da TV Record, que em seguida pagou os fornecedores da Câmara que ainda tinham dinheiro para receber.
“Eu não peguei as notas fiscais, eu viajei no dia 22, e peguei recibos. Quem tem que pegar nota fiscal é a empresa (de Adilson Martins). É a agência que tem que pegar a nota fiscal. Como é que eu vou entregar a ele um recibo de que eu paguei?”, justifica, acrescentando que pegou recibo da Rede Vida, da Rádio Sorriso, d TV Record e da empresa ArtImagem, empresas que o Adilson não tinha pago ainda. “E desses fornecedores eu tenho os recibos”, completa, dizendo que bastava o Adilson passar nestas empresas e pegar as respectivas notas fiscais.
Escrito por: Sérgio Édison