O senador republicano Blairo Maggi, megaempresário e ex-governador por dois mandatos, se mostra revoltado com o vazamento à imprensa de informações da época do regime militar (64-85) que expõe e denuncia tanto a sua famÃlia quanto a do afilhado polÃtico Luiz Antonio Pagot acerca de supostos crimes praticados no Oeste do Paraná.
Ele disse a aliados mais próximos que o acesso a documentos sigilosos, como teve o jornal Correio Braziliense, que publicou reportagem no domingo intitulada "FamÃlias de Pagot e Maggi estavam em grupo investigado pela PF nos anos 70", só pode ter dedo de alguém do governo Dilma Rousseff, de quem se considera forte aliado.
Maggi sabe que o cerco se fechou contra ele por ter sido convidado para assumir a pasta dos Transportes, que tem sido alvo de escândalos e que, inclusive, já levou o Palácio do Planalto a afastar 7 pessoas tanto do ministério quanto dos órgãos vinculados. O próximo a cair é Luiz Pagot, hoje de férias do cargo de diretor-geral do Dnit.
O ex-governador foi informado sobre a reportagem do Correio quando estava comemorando o aniversário de sua mãe, na mansão da famÃlia no Lago de Manso, região de Chapada dos Guimarães. Ficou na bronca. Acha que são pessoas do Planalto que estão tentando "queimá-lo moralmente e politicamente" e, por isso, pretende ter uma conversa com a presidente Dilma.
Por enquanto, Maggi não admite a tese da ruptura, mas pode engrossar o discurso da bancada do PR no Congresso Nacional. Com a saÃda de Alfredo Nascimento e a nomeação para o Transportes de Paulo Passos, indicação mais pessoal da presidente Dilma, a legenda perdeu espaço na administração central. Seria um trunfo para, em resposta, se distanciar do governo.
Maggi se elegeu governador em 2002 com o slogan "Na Palma da Mão" e com promessa de quebrar paradigma, apresentando um novo jeito de se fazer polÃtica, com transparência e honestidade.
Hoje, 9 anos depois e com a experiência de ter comando o Estado por 7 anos e já na cadeira de senador, ele se vê no olho do furacão. Contra ele pipocaram denúncias graves, que envolvem também o seu principal afilhado polÃtico. Pagot se tornou pivô de escândalos do ministério e no Dnit e até prestou depoimento no Senado e na Câmara. Passou a ser chamado de homem-bomba.
Contra Maggi, a notÃcia que mais o deixou baqueado foi a divulgada pelo Correio Braziliense ne domingo (17). Revela que nos anos 70, o Serviço de Informação da PolÃcia Federal investigou a famÃlia dele e também de Pagot em São Miguel do Iguaçu (PR). Classifica as duas famÃlias como organização que roubava terras de pequenos agricultores, comprava vereadores e se envolvia com o tráfico de drogas.
Segundo o jornal, documentos revelam que a relação entre Maggi e Pagot é de longa data e foi reforçada na militância polÃtica, tanto que André Maggi, pai do parlamentar, foi vereador e presidente da Câmara Municipal e, Ferdinando Felice Pagot, pai de Luiz Pagot, atuou como prefeito.