A pavimentação da BR-242 no trecho entre Nova Ubiratã e a BR-158, na região do Araguaia, foi o tema da reunião neste sábado (5/2) entre o presidente da Câmara de Nova Ubiratã, Hálacy Amorin (PV), e os presidentes do Comitê da BR-163, Jorge Antônio Baldo, e da Associação dos Produtores da Rodovia MT-242 (Apnur), Renilson de Freitas.
Os dois dirigentes cobraram o apoio de Hálacy para solucionar problemas no traçado da rodovia, cujas obras deverão ser iniciadas em março pelas empreiteiras vencedoras dos trechos licitados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit).
As entidades discordam do traçado da BR-242 definido pelo Dnit em Nova Ubiratã. Nas proximidades da Fazenda Xingú, o trecho desviará para o distrito de Água Limpa. A partir de Água Limpa, o traçado passará por Querência para chegar à BR-158.
Essa rota deixa de fora os distritos de Novo Mato Grosso e Santo Antônio, por onde passa o traçado original definido em 1973 pelo congresso nacional, reclama Freitas, da Apnur. Nós estamos defendendo os interesses das comunidades, cuja população quer a manutenção do traçado original, emenda Jorge Baldo.
O Governo de Mato Grosso apresentou uma proposta onde se compromete a construir, em parceria com a prefeitura de Nova Ubiratã, o trecho de 40 quilômetros até Novo Mato Grosso. Isso não vai resolver o problema. A nossa sugestão é de que o Dnit mantenha o traçado e que construa um braço até o distrito de Água Limpa. Dinheiro para isso o Governo Federal tem sobrando, garante Baldo.
Hálacy Amorin sugeriu que o assunto seja discutido com representantes dos municípios de Nova Ubiratã, Paranatinga, Vera e Feliz Natal em um encontro que poderá ser realizado em Nova Ubiratã. Vamos debater a proposta e formar uma comissão que apresentará a reivindicação à diretoria do Dnit, sugere o vereador.
No entanto, ele avalia que o importante é que a rodovia passe por Nova Ubiratã. A pavimentação da rodovia vai gerar menor custo de produção para nossos produtores e aumentar a renda da nossa população. Precisamos que as obras tenham celeridade e seja conclusa de modo a trazer tais benefícios para Nova Ubiratã, explica Hálacy.
Parte da população de Nova Ubiratã teme que se a reivindicação tiver que ir para Brasília, o projeto tenha que passar por novos trâmites, como aprovação de licença ambiental pelo Ibama. E uma nova reavaliação significa retardar todo o projeto, cujas obras já estão licitadas e prontas para serem iniciadas. Então, devemos tomar muito cuidado na condução da demanda, ressalta Hálacy Amorin.
Conforme o Dnit, R$ 20 milhões já estão disponíveis para o início da pavimentação em Nova Ubiratã, que deverá transformar a BR-242 em um dos maiores corredores agrícolas do Brasil. O projeto do governo federal também prevê a continuidade da pavimentação da rodovia através dos Tocantins e Bahia, passando por Barreiras e chegando ao porto em São Roque. Alguns trechos baianos já estão sendo pavimentados.
As obras serão realizadas em quatro lotes e alcançarão 130 quilômetros entre Nova Ubiratã e a rodovia MT-130, na localidade de "Postinho Santiago".
Rodovia
A BR-242 possui quase 600 quilômetros de extensão e já está asfaltada nos trechos entre Sorriso e Nova Ubiratã, Sorriso e Ipiranga do Norte e de Nova Querência à BR-158. A rodovia será um eixo de integração leste-oeste na região central de Mato Grosso, possibilitando integração com a hidrovia do Araguaia e a ferrovia Norte-Sul, no corredor de transporte para o porto de Itaqui, no Maranhão.
O prolongamento da BR-242 até Juína atenderá, também, a área de produção agrícola e ajudará a consolidar o eixo rodoviário leste-oeste, possibilitando a integração com Rondônia via BR-174. Atualmente, parte do trecho proposto já se encontra pavimentada de Sorriso a Ipiranga do Norte, com previsão de extensão do pavimento até Itanhangá seguindo para Juína.
O tamanho da rodovia sofrerá alteração porque o traçado sairá da área de abrangência das áreas indígenas da reserva do Xingu. Ou seja, ele desviará a estrada da Estação Ecológica do Alto Ronuro e do Parque Nacional do Xingu, buscando coincidir a rodovia com as rodovias estaduais existentes no local, em especial a MT-324, além da busca pela minoração dos impactos ambientais, desenvolvendo o detalhamento por áreas já desmatadas.
A previsão do Dnit e completar a obra ainda em 2011. Os custos da pavimentação podem chegar a R$ 600 milhões em razão do aumento das distâncias de transporte. Em alguns lotes, por exemplo, projeta-se gastar R$ 700 mil por quilômetro. No entanto, o valor poderá chegar a R$ 1 milhão devido às atualizações.
Para os produtores, a melhoria nas condições de trafegabilidade em uma nova rota de escoamento pode implicar na redução de custos. Mato Grosso é atualmente o principal produtor de grãos do país. A soja é o carro-chefe do agronegócio no Estado, com produção de quase 19 milhões de toneladas.
Fonte: Sérgio Édison - da Assessoria