O deputado federal Nilson Leitão (PSDB) iniciou para valer o seu mandato na última semana, quando retornou do recesso parlamentar. Exatamente no dia em que tomou posse no lugar de Ságuas Moraes (PT), 13 de julho, o Congresso entrou de férias. Ao retornar, na última terça (2), Leitão demonstrou que está com gás, de cara estabelecendo suas metas para o mandato.
Nesta entrevista exclusiva ao RDNews, o deputado tucano revela que, entre outras plataformas de trabalho, é simpático à divisão de Mato Grosso e criação do Estado do Nortão, ou Mato Grosso do Norte.
Mato Grosso tem que se desenvolver e se a opção do desenvolvimento do Estado for a divisão, eu vou concordar. A divisão é algo que não está morto. Muita gente daquela região têm esse sentimento um pouco guardado, afirma. Em outro trecho, ele fala do sonho que acalenta de ser governador. Se a oportunidade aparecer, não descarto nem um tipo de candidatura, afirmou, ao comentar sobre seus planos para 2014.
Leitão, por outro lado, deixa claro que é oposição aos governos da petista Dilma Rousseff (PT), presidente da República, e dos peemedebistas Silval Barbosa e Juarez Costa, governador e prefeito de Sinop, respectivamente. Apesar de professar que não terá uma postura radical e dará apoio nas ações que forem em benefício de Sinop, de frisa atuar em benefício de Mato Grosso e do País.
RDNews O senhor assumiu depois de uma batalha judicial em torno da Lei da Ficha Limpa, após ter sido barrado. O senhor se sente um ficha suja?
Nilson Leitão - Eu sou um deputado ficha limpa, apesar de ter sido beneficiado pelos votos de um deputado ficha suja, que depois da queda da Lei da Ficha Limpa para 2010, foram validados os votos dele. Antes essa situação acabou me tirando o meu mandado ainda anterior à minha diplomação. Agora isso foi restituído, foi feito justiça. Sinto-me tranquilo para poder trabalhar, olhar para frente e recuperar esse tempo perdido que a Justiça acabou tirando de forma injusta.
RDNews Como será a atuação do senhor no Congresso?
Nilson Leitão - Eu tenho três projetos que vão ser prioridade nesse primeiro momento. Um no setor da saúde, que é o programa que eu nomeie de CEM (Centro de Especialidade Médica), que prevê a interiorização do atendimento da saúde para desafogar os grandes centros. Estão previstas, inclusive, salas cirúrgicas, com equipamento básico como Raios-X, porque praticamente 50% dos nossos municípios de Mato Grosso não têm sequer este equipamento e, sem ele, não há nem como engessar o braço de um paciente. É algo que precisa ser resolvido. O programa vai ter uma escala: CEM 1, Cem 2 e CEM 3. A cada escala terá um pouco mais de equipamentos, como ultra-som e outros, e cirurgia seletiva. Às vezes as pessoas que moram a 800 km não têm acesso a um atendimento para cirurgia e morrem. É um absurdo isso. Cirurgia simples, de hérnia, de apendicite e outras. O programa é para tentar sair dessa ambulância de terapia, quando as pessoas são obrigadas a correr para os grandes centros, como a capital, por que não têm atendimento perto.
RDNews O chamado reboca-terapia ou doutor Boeing...
Nilton Leitão Isso tem que acabar. Outro programa é na área do pequeno e médio agricultor e também na agricultura familiar, que é um agente comunitário da terra. Do mesmo jeito que tem o agente comunitário da saúde, onde o profissional mora lá, trabalha e visita a família no bairro, o agente comunitário da terra vai lá dar assistência aos agricultores de sua comunidade rural. Pode ser filho de trabalhadores e isso também vai puxar outra coisa que são escolas técnicas rurais. E o terceiro programa é para a área de educação, para valorizar o professor . Por exemplo, o juiz quando passa em um concurso e é designado para trabalhar em Juína, ele tem um aumento de salário para poder atuar lá. O professor tem que ter o mesmo atendimento. Se passou no concurso do estado, ele não pode ter o mesmo salário de Cuiabá para trabalhar, por exemplo, lá em Apiacás, ou Rondolândia. Ele tem que ter também esse plus salarial para poder ser incentivado. E isso pode ser estendido também para área de segurança, policial civil, militar e bombeiro. Meu projeto é neste sentido: valorizar o professor, incentivar a sua ida para cidades longe da capital.
RDNews O senhor é um parlamentar do Nortão. Alguma coisa especifica para a região?
Nilson Leitão Todos esses projetos que mencionei foram pensados por causa da minha região, que é uma das mais carentes em termos de saúde, educação e apoio aos agricultores pequenos e médios. Nós queremos fazer isso penso no Mato Grosso como um todo, mas especificamente pelo Nortão. Outra coisa: pretendo lutar pela interiorização tanto da Unemat (Universidade Estadual de Mato Grosso) quanto da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). È preciso fazer essas universidades chegarem a outras cidades do Nortão e também de regiões esquecidas como o Araguaia.
RDNews Ao assumir, o senhor recupera a vaga do PSDB de Mato Grosso no Congresso Nacional, perdida com a não-reeleição da deputada Thelma de Oliveira. Qual que é a sua responsabilidade sobre isso?
Nilson Leitão - A minha responsabilidade é dupla, né? Porque, além de ter que substituir a deputada Thelma, que é viúva do meu querido amigo e mito político, Dante Oliveira, que eu tenho assim um apreço muito grande pela sua história, sou o único deputado do partido em Mato Grosso aqui. E eu também sou presidente do PSDB do estado. Então, é claro que tem uma expectativa muito grande em cima do nosso mandato. Tem ai uma visão que a gente tem que trabalhar mais do que os outros. E a nossa dificuldade é triplicada porque nós somos oposição ao governo federal, ao governo estadual e, no meu caso de Sinop, ao governo municipal. Então eu tenho que me virar, se virar nos trinta aqui mesmo. Não tem tempo de brincar e até porque eu sou bem resolvido, eu sei o que eu quero.
RDNews A sua posse foi prestigiada por várias lideranças políticas, inclusive pelos vereadores Ademir Bortoli (DEM) e Paschoal Gimenes Hidaldo (PSDB) de Sino. Os dois defenderam a candidatura de Leitão para a sucessão de Silval. O senhor é candidato?
Nilson Leitão - Projetos claro que têm! Eu quero ter projeto para ser presidente da República, se deixar, não é isso? Todo político quer chegar ao ápice. O que não sonha, o que não tem essa ambição de crescer automaticamente, não tem ambição para o trabalho, também não vai se dedicar ao trabalho. Só tem um jeito de crescer na política, é trabalhando.
RDNews- Então o senhor não descarta a possibilidade de disputar para governo em 2014?
Nilson Leitão Jamais. Eu quero ser deputado federal como vou ser agora, vou dedicar a isso. Se deixar eu quero ser senador, eu quero ser governador, eu quero ser que for preciso .
RDNews - Mais já em 2014?
Nilson Leitão - Não sei. Se a oportunidade aparecer, eu não descarto nem um tipo de candidatura, e nenhuma época. Eu sou político, eu escolhi isso! E não tenho vergonha de ser político, não tenho vergonha de colocar minhas idéias, defendê-las. Essa é a minha idéia: fazer com que a população de Mato Grosso entenda que eu posso ser uma opção. Eu e qualquer um, qualquer vereador, qualquer prefeito, qualquer deputado, e qualquer um que tenha um titulo eleitoral e seja filiado a algum partido. Eu tenho as prerrogativas, eu sou brasileiro, tenho o titulo eleitoral, sou filiado a um partido, e tem mais um ingrediente, sou político. Então, eu posso ser a candidato a qualquer coisa, vontade sempre de crescer.
RDNews - Sobre Sinop. Como vai ser a participação do PSDB na disputa lá em 2012?
Nilson Leitão - Agora é o momento de sentar à mesa, reunir toda a o oposição; a oposição tem que ter maturidade e, acima de tudo, a humildade de entender que não é fácil disputar uma eleição na cidade de Sinop, com o peso do governo do Estado, como o peso do governo federal. Eu disputei duas contra a máquina do governo federal e conseguir sair vitorioso, mais uma agora que foi agora que foi em 2010, como deputado federal. Mas a oposição tem que sentar. E não só em Sinop. No estado de Mato Grosso todo. Nós vamos fazer conversas com os partidos que perderam a eleição em 2010. A oposição tem que se unir no mesmo discurso em todo o Estado. Em Sinop não vai ser diferente. Nós vamos unir a oposição para ganhar a eleição.
RDNews Deputado, volta e meia aqui no Congresso surgem movimentos pela divisão de estados e Mato Grosso sempre está na pauta. Inclusive existem quatro projetos na Câmara e no Senado prevendo a criação de novos estados a partir do território mato-grossense. Essas matérias estão arquivadas,mas que sempre surge alguém com a bandeira da divisão. O senhor, como parlamentar do Nortão, defende também esta bandeira?
Nilson Leitão - Eu concordo que Mato Grosso tem que se desenvolver e se a opção do desenvolvimento do estado for a divisão eu vou concordar. Agora eu não vou ser leviano como o atual governador, que levantou a bandeira na região, andou por tudo que é lado gritando e bradando que ia dividir o Estado. E depois renegou suas idéias, se acovardou para ser candidato a vice-governador (na chapa de Blairo Maggi, em 2006). Eu como prefeito da maior cidade do Nortão sempre defendi que se houver a divisão, mas a divisão com responsabilidade. Critiquei o atual governador por defender uma divisão irresponsável e fui até vaiado por isso. Então, em penso que precisa, sim, dividir. Mas dividir com responsabilidade, criando um programa que o governo federal seja parceiro, que compre essa idéia, que o governo do Estado compre essa idéia. Não se pode é dividir de uma hora para outra sem observar as demandas que essa divisão vai ocasionar, como a criação de toda a estrutura e infraestrutura para funcionar o novo estado: centro político e administrativo, Legislativo, Justiça, todos os setores, concurso público, tudo que tem o que fazer. Quem vai pagar por tudo isso, qual o compromisso do governo estadual, do governo federal e do futuro governo do novo estado? Quando vai custar e quem arcará com cada despesa. Isso tudo precede a discussão pela divisão. É o que vou propor, porque a divisão é algo que não esta morto. Muita gente daquela região têm esse sentimento um pouco guardado. Pode conversar com qualquer um, com moradores do Nortão do estado, tem sim o sentimento da divisão. Isto é o que nós vamos fazer aqui na Câmara: perguntar ao povo e se ele quer que essa bandeira seja levantada.