Servidores da Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) pedem a “cabeça” do presidente da autarquia, Enock Alves dos Santos, e já demonstram descontentamento com o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, José Domingos Fraga (DEM), há menos de três meses no cargo. “A situação do Enock entre a cúpula do governo é muito ruim. Hoje está no cargo apenas recebendo salário. Também vamos pedir ao Zé Domingos para deixar a pasta, pois ele fez uma série de exigências para assumir e não consegue sequer articular a reestruturação da Empaer”, dispara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assistência Técnica Extensão Rural e Pesquisa de Mato Grosso (Sinterp), Gilmar Brunetto.
Em reunião nesta quinta (16) com o secretário estadual de Administração, César ZÃlio, o sindicalista foi comunicado de que a negociação em torno da reestruturação da Empaer e das carreiras dos servidores deveria ser intermediada por Enock com Zé Domingos e os secretários de Fazenda e Planejamento, Edmilson dos Santos e José Gonçalves Botelho, respectivamente. A Empaer é uma autarquia vinculada à pasta de Desenvolvimento Rural. “Num primeiro momento, o César ZÃlio explicou que não caberia ao Enock intermediar as negociações, mas, depois de ouvir nossas reivindicações, o secretário colocou-se à disposição para ajudar”, relata Gilmar.
Uma das reivindicações dos servidores da Empaer é a equiparação salarial com os funcionários do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), que já tiveram a recomposição aprovada pela Assembleia. Representante do Legislativo na reunião com ZÃlio, o deputado Ademir Brunetto propôs a elaboração de uma tabela para que a equiparação seja realizada em até quatro anos. “Mas a categoria dificilmente vai aceitar este acordo. Ficou claro que o governo não tem compromisso com a assistência técnica aos pequenos produtores rurais”, contrapõe Gilmar.
Ele e um grupo de servidores retornam à SAD na manhã desta sexta (17) para discutir com técnicos da pasta a formulação da contra-proposta do governo. Na próxima segunda (20), eles prometem bater na porta do gabinete de Zé Domingos, no Palácio Paiaguás, e cobrar do presidente da Assembleia José Riva (PP) o cumprimento do compromisso assumido com a categoria.
No final deste mês, o sindicato vai realizar uma assembleia-geral para votar a proposta de paralisação das atividades por tempo indeterminado, caso o Paiaguás não atenda às reivindicações. A Empaer conta com 562 servidores, sendo 377 efetivos e 185 comissionados. O orçamento previsto para 2011 é de R$ 26 milhões. “Este montante só dá para pagar a folha salarial, estamos sem previsão de investimentos e abertura de concurso para contratação de mais servidores”, reclama Gilmar.