15 de setembro de 2026

Nova Ubiratã

Polícia

OPERAÇÃO FALSO SORRISO: Polícia suspeita que ex-funcionária desviou R$ 100 mil de clínica e gastou parte em jogos

Investigada confessou os desvios e golpes contra pacientes, segundo delegado; Polícia Civil apura se parte dos valores foi destinada a apostas

A Polícia Civil de Mato Grosso investiga se parte dos mais de R$ 100 mil supostamente desviados de uma clínica odontológica de Cuiabá pela ex-funcionária A. K. S., de 31 anos, foi utilizada em jogos de azar. A suspeita surgiu a partir de elementos reunidos durante as investigações da Operação Falso Sorriso, deflagrada nesta quinta-feira (20).

Segundo o delegado Hugo Abdon Lima, responsável pela investigação, a ex-funcionária confessou os crimes durante depoimento, embora não tenha declarado ter utilizado o dinheiro em apostas. A hipótese de gastos com jogos, conforme explicou o delegado, decorre de evidências identificadas no curso da apuração e do fato de a investigada não apresentar patrimônio compatível com os valores que teriam sido desviados.

“É uma suspeita nossa, haja vista que ela não possui qualquer patrimônio. Algumas evidências sugerem que ela gastou com jogos de azar. Ela confessou o crime, mas não chegou a mencionar ter gastado com jogos”, afirmou Hugo Abdon Lima.

A investigada teria relatado à Polícia Civil que enfrentava dificuldades financeiras. Agora, os investigadores buscam reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e esclarecer qual teria sido a destinação dos valores. Aparelhos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais deverão passar por análise e podem fornecer novos elementos à investigação.

Esquema teria usado dados de pacientes

As investigações apontam que a suspeita, enquanto trabalhava na área administrativa e financeira da clínica, teria se aproveitado do acesso ao sistema interno, aos contratos e aos dados cadastrais dos pacientes para realizar cobranças e direcionar pagamentos para contas particulares.

Segundo a Polícia Civil, pacientes teriam sido abordados pessoalmente ou por meio do WhatsApp particular da então funcionária e recebido propostas de descontos para pagamentos realizados por Pix, links, QR Codes ou máquinas de cartão vinculados a contas controladas por ela.

Depois de receber os valores, a investigada teria alterado os registros da clínica para fazer constar que os pacientes estavam com os pagamentos regularizados. Dessa forma, os tratamentos continuavam sendo realizados, embora o dinheiro não tivesse ingressado efetivamente no caixa do estabelecimento.

A apuração inicial identificou mais de 15 pacientes em situações semelhantes. Os contratos analisados inicialmente ultrapassariam R$ 50 mil, mas a Polícia Civil estima que o prejuízo total possa superar R$ 100 mil, especialmente quando considerados os procedimentos odontológicos realizados sem o correspondente recebimento pela clínica.

Cobranças teriam continuado após demissão

Outro ponto investigado é a suspeita de que as cobranças tenham continuado mesmo depois da dispensa da funcionária por justa causa. Conforme a investigação, ela teria mantido contato com pacientes e continuado a se apresentar como representante da clínica para solicitar pagamentos.

O caso veio à tona depois que uma paciente informou aos proprietários do estabelecimento que havia realizado uma transferência via Pix diretamente para a conta pessoal da funcionária. A partir da informação, a clínica iniciou uma apuração interna e encontrou outras situações consideradas suspeitas.

A suspeita foi alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Falso Sorriso. Segundo o delegado, a medida buscou interromper possíveis novas condutas e preservar elementos capazes de esclarecer a extensão dos fatos.

Com o avanço das investigações, a ex-funcionária deverá ser indiciada por furto qualificado e estelionato, segundo a autoridade policial. Ela permanece em liberdade. Os materiais apreendidos serão analisados para verificar a existência de outras vítimas, dimensionar o prejuízo e esclarecer a destinação do dinheiro.

Até a última atualização das informações divulgadas, a investigada não possuía advogado constituído. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.

Fonte: SÓ NOTÍCIAS

Escrito por: Redação

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