19 de setembro de 2026

Nova Ubiratã

Política

Crise no STF reforça imprevisibilidade no resultado da disputa ao Planalto

Em meio à crise no Supremo, pesquisas divulgadas na segunda-feira (14/9) mostram Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) a um mês das eleições trouxe pequenas mudanças no resultado das pesquisas eleitorais para presidente, que apontam os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na dianteira

A tensão no Supremo escalou de nível em 1° de setembro, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de autos que envolvem conversas de Daniel Vorcaro com número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes e indicam relação do banqueiro com o magistrado. O episódio desencadeou acusações de Moraes contra Mendonça e desgaste na credibilidade da mais alta Corte do país. O plenário do Supremo analisará denúncias contra Moraes nesta terça (15/9), às 10h.

De acordo com as mais recentes pesquisas Quaest e BTG/Nexus, divulgadas na segunda-feira (14/9), os números de intenção de voto de Lula e Flávio Bolsonaro tiveram pequenas oscilações no último mês, mas foram o suficiente para deixar a disputa ainda mais acirrada e imprevisível. Veja:

Quaest

  • 5 de agosto: Lula 39% x Flávio 30% no 1º turno; 44% x 39% no 2º turno.
  • 2 de setembro: Lula 37% x Flávio 29% no 1º turno; 42% x 41% no 2º turno.
  • 7 de setembro: Lula 36% x Flávio 29% no 1º turno; empate de 41% a 41% no 2º turno.
  • 14 de setembro: Lula 36% x Flávio 31% no 1º turno; Flávio 42% x Lula 40% no 2º turno.

BTG/Nexus

  • 17 de agosto: Lula 41% x Flávio 36% no 1° turno. 47% x 44% no 2° turno.
  • 24 de agosto: Lula 41% x Flávio 37% no 1° turno. 46% x 45% no 2° turno.
  • 31 de agosto: Lula 39% x Flávio 33% no 1° turno. 46% x 45% no 2° turno.
  • 8 de setembro: Lula 39% x Flávio 35% no 1° turno. Flávio na frente com 46% contra 45% de Lula em 2° turno.
  • 14 de setembro: Lula 40% x Flávio 36% no 1° turno. 47% x 46% no 2° turno.
  • Crise não impacta votos?

    Ao Metrópoles, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, apontou que a crise no STF não causou grande mudanças nas intenções de voto porque a decisão eleitoral é multidimensional. “O eleitor pode estar muito insatisfeito com o Supremo e, ao mesmo tempo, manter sua preferência presidencial.”

  • Nunes afirma que a corrida ao Palácio do Planalto está bastante consolidada entre Lula e Flávio, o que impede grandes mudanças no resultado das pesquisas.

  • “Lula e Flávio já ocupam posições muito consolidadas no eleitorado. É uma eleição bastante polarizada e com alto grau de rejeição aos dois. Isso cria uma espécie de ‘calcificação’ da disputa: notícias muito importantes podem alterar a avaliação de instituições ou de candidatos, mas não necessariamente deslocam grandes contingentes de eleitores de um lado para o outro”, afirmou o CEO da Quaest.

     

    Nunes chama atenção ainda para o peso dos eleitores independentes, que tendem a ser mais sensíveis a episódios envolvendo o STF.

    Para ele, no entanto, criticar o Supremo não significa migrar automaticamente para Flávio. Esse grupo pode ler a crise de duas formas: como um abuso institucional ou como mais um capítulo da polarização.

  • Na avaliação de Nunes, a crise também pode acabar favorecendo nomes da direita que se coloquem como alternativa ao sistema político atual.

    “A crise pode abrir espaço principalmente para a direita e para candidatos que consigam se apresentar como alternativa ao sistema político-institucional atual. Mas isso não significa necessariamente transferência para Flávio. Mais do que voto, a crise tem engajado a direita. E isso faz diferença”, afirmou.

     

    Lula e Flávio se beneficiam a partir da crise?

    Ao Metrópoles, o doutor em Direito Constitucional e pró-reitor da Estácio Brasília, Murilo Borsio Bataglia, explicou que ainda não dá para apontar um beneficiário direto da crise no Judiciário.

  • Isso porque, segundo ele, decisões da Suprema Corte podem ter efeitos políticos indiretos, principalmente por envolverem aliados e, eventualmente, os próprios presidenciáveis.

    “Por isso, é possível que a crise seja instrumentalizada eleitoralmente, mas não se pode afirmar, a priori, que ela beneficiará Lula ou Flávio, até mesmo em virtude da complexidade dos casos e pelos indícios ou elementos ainda em apuração”, analisou Murilo.

     

    Ele avalia ainda que o impacto não aparece nos levantamentos porque o eleitor pesa vários fatores na hora de decidir o voto. Para ele, economia, segurança, avaliação do governo, rejeição e identificação política costuma falar mais alto do que uma crise institucional envolvendo o Judiciário. “É importante distinguir a relevância política do episódio de sua efetiva capacidade de produzir comportamento eleitoral”, disse.

  • Sobre o eleitores independentes, o professor disse que o grupo é o mais sensível à forma como a crise é interpretada. Uma parte pode reagir em defesa das instituições, enquanto outra pode comprar o discurso de politização do STF. “O ponto decisivo será como os diferentes atores conseguirão enquadrar politicamente a crise”, afirmou.

    Quem pode ganhar com a crise?

    Bataglia não vê um lado como beneficiário automático.

  • “A direita pode explorar a ideia de excesso de poder do Judiciário, enquanto a esquerda tende a reforçar a defesa das instituições. O centro pode tentar ocupar o espaço da moderação”, avaliou o professor.

    No fim, segundo ele, leva vantagem quem conseguir transformar a crise em uma narrativa clara e convincente para o eleitor.

Fonte: METRÓPOLES

Escrito por: Redação

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