19 de agosto de 2026

Nova Ubiratã

Política

ELEIÇÕES 2026: Eleição expõe abismo patrimonial entre candidatos em Mato Grosso

Declarações à Justiça Eleitoral vão de patrimônio zero a R$ 575,68 milhões; levantamento do DIÁRIO mostra fortunas milionárias

As informações incluem imóveis, propriedades rurais, veículos, participações em empresas, saldos bancários, ações e aplicações financeiras

Foto por: Reprodução

A eleição de 2026 em Mato Grosso reúne, de um lado, candidatos que declararam não possuir bens e, de outro, concorrentes com patrimônios de dezenas ou centenas de milhões de reais.

O maior valor identificado pelo DIÁRIO, até agora, chega a R$ 575,68 milhões, enquanto entre as candidaturas proporcionais há registros de patrimônio zero ou de apenas alguns milhares de reais.

O retrato foi construído a partir das declarações de bens apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no DivulgaCandContas.

As informações incluem imóveis, propriedades rurais, veículos, participações em empresas, saldos bancários, ações e aplicações financeiras.

 

 análise engloba as quatro principais disputas em Mato Grosso: Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa.

Além de mostrar quanto os candidatos declaram possuir, o levantamento permite comparar, entre aqueles que já participaram de eleições anteriores, como o patrimônio informado mudou ao longo do tempo.

O resultado revela diferenças expressivas tanto entre cargos quanto dentro das próprias chapas partidárias.

PIVETTA TEM R$ 575,68 MILHÕES - O maior patrimônio identificado está na disputa pelo Governo.

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) declarou R$ 575,68 milhões.

Em 2022, quando disputou a eleição como vice-governador, havia informado R$ 378,87 milhões.

São R$ 196,81 milhões a mais, uma expansão nominal de 51,9% em quatro anos.

A maior parte da fortuna está concentrada em poucos ativos.

Quatro fundos e participações empresariais somam aproximadamente R$ 572,5 milhões, equivalentes a cerca de 99,5% de todo o patrimônio declarado.

A distância para os adversários é grande.

Wellington Fagundes (PL) declarou R$ 13,13 milhões, contra R$ 9,07 milhões em 2022, crescimento de 44,8%.

Natasha Slhessarenko (PSD) informou R$ 6,95 milhões, enquanto Rafaell Millas (Missão) declarou R$ 550 mil.

Entre Pivetta e Millas, a diferença patrimonial supera mil vezes.

SENADO TEM FORTUNAS DE R$ 67 MI E R$ 45 MI - Na corrida ao Senado, o maior patrimônio entre os nomes já analisados é o do ex-governador Mauro Mendes, com R$ 67,18 milhões.

O valor, porém, é significativamente inferior ao apresentado por ele quatro anos atrás.

Em 2022, Mauro havia declarado R$ 108,99 milhões. A redução chega a R$ 41,81 milhões, ou 38,4%.

Logo depois aparece Antônio Galvan, com R$ 45,47 milhões. O movimento patrimonial dele foi inverso: em 2022, eram R$ 14,09 milhões.

A declaração atual é R$ 31,38 milhões maior, avanço de 222,7%.

Entre os demais nomes analisados estão Carlos Fávaro, com R$ 2,04 milhões; Janaina Riva, com R$ 1,23 milhão; Margareth Buzetti, com R$ 1,08 milhão; Pedro Taques, com aproximadamente R$ 360 mil; e José Medeiros, com R$ 356 mil.

Somente esses sete candidatos ao Senado já analisados somam aproximadamente R$ 117,7 milhões em patrimônio declarado.

O valor é parcial e não representa a soma de todos os candidatos ao cargo.

GOVERNO SOMA AO MENOS R$ 596,3 MILHÕES - Também é possível estabelecer um piso para a corrida ao Governo.

Somados Pivetta, Wellington, Natasha e Millas, os quatro candidatos já analisados possuem R$ 596,31 milhões em bens declarados.

Pivetta sozinho responde por aproximadamente 96,5% desse montante.

A concentração mostra como médias simples podem produzir uma visão distorcida da realidade patrimonial da eleição.

A presença de uma fortuna de R$ 575 milhões eleva fortemente a média, embora os demais candidatos analisados estejam muito abaixo desse patamar.

FEDERAL TEM PATRIMÔNIOS ACIMA DE R$ 20 MILHÕES - A disputa pelas oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados amplia o universo patrimonial.

Entre os nomes já identificados, Virginia Mendes declarou aproximadamente R$ 21,5 milhões; Fernando Görgen, R$ 18,19 milhões; Giovani Mendes, R$ 12,8 milhões; Neri Geller, R$ 9,17 milhões; e Nilson Leitão, cerca de R$ 7 milhões.

Somente esses cinco patrimônios em destaque chegam a aproximadamente R$ 68,7 milhões.

O número não corresponde ao patrimônio total dos candidatos a deputado federal, mas demonstra que as fortunas milionárias também têm peso na disputa proporcional.

As comparações com eleições anteriores revelam outros movimentos.

Neri, por exemplo, passou de R$ 3,16 milhões em 2022 para R$ 9,17 milhões agora, crescimento de aproximadamente 190%.

Na direção oposta, Nelson Barbudo passou de R$ 285,8 mil para R$ 130 mil, redução de 54,5%.

ESTADUAIS TAMBÉM TÊM MILIONÁRIOS - Na corrida pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, o maior patrimônio já identificado pelo levantamento é o de Júlio Campos, com aproximadamente R$ 31,5 milhões.

Valmir Moretto declarou cerca de R$ 8,3 milhões; Nininho, R$ 6 milhões; e Wilson Santos, R$ 3,75 milhões.

Os quatro, juntos, chegam a aproximadamente R$ 49,55 milhões.

Também aqui o valor é apenas um recorte dos patrimônios em destaque, e não a soma de todas as candidaturas.

Wilson chama atenção principalmente pela evolução. Em 2022, havia declarado aproximadamente R$ 468 mil. Agora são R$ 3,75 milhões — diferença superior a R$ 3,28 milhões.

MAIS DE R$ 830 MILHÕES SÓ NOS NOMES JÁ ANALISADOS - Embora ainda não seja possível tratar o número como patrimônio total da eleição, os candidatos destacados nos quatro levantamentos feitos pelo DIÁRIO já ultrapassam, juntos, R$ 830 milhões em bens declarados.

A conta reúne os quatro candidatos ao Governo analisados, sete candidatos ao Senado e os principais patrimônios já identificados nas disputas para deputado federal e estadual.

O montante deve ser apresentado apenas como piso, e não como soma geral, porque centenas de candidaturas proporcionais ainda não estão incluídas nesse cálculo.

A fortuna de Pivetta tem peso decisivo: sozinha, representa mais de dois terços desse recorte.

DECLARAÇÃO NÃO REPRESENTA VALOR DE MERCADO - Os números exigem cautela.

Os valores são informados pelos próprios candidatos e disponibilizados pela Justiça Eleitoral.

Imóveis, propriedades rurais, veículos e participações empresariais podem aparecer pelos valores históricos declarados e não necessariamente pelo preço que alcançariam atualmente no mercado.

O próprio TSE destaca que as declarações permitem consultar e comparar o patrimônio apresentado pelos candidatos.

Da mesma forma, aumento ou redução entre duas eleições não pode ser tratado automaticamente como enriquecimento ou perda financeira.

Compra e venda de bens, alterações societárias, heranças, investimentos e mudanças nos valores atribuídos aos ativos podem alterar o patrimônio declarado.

O que os dados permitem afirmar é quanto cada candidato informou possuir à Justiça Eleitoral em determinado momento e como esse valor mudou em relação a declarações anteriores.

UM RAIO-X DA ELEIÇÃO - Mesmo sem a soma definitiva das centenas de candidaturas, o levantamento revela uma eleição marcada por forte desigualdade patrimonial.

Há candidatos com centenas de milhões de reais, outros com fortunas de dezenas de milhões, políticos cujo patrimônio está concentrado em um único imóvel e concorrentes que declararam não possuir bens.

Também há trajetórias opostas: Pivetta acrescentou R$ 196,8 milhões ao valor declarado desde 2022; Galvan, R$ 31,4 milhões; enquanto Mauro Mendes apresentou R$ 41,8 milhões a menos.

As declarações transformam o DivulgaCandContas em mais do que um cadastro eleitoral.

Elas permitem ao eleitor acompanhar a composição e a evolução dos bens daqueles que pretendem ocupar cargos públicos — informação que o TSE mantém disponível com base no princípio da transparência.

Fonte: DC

Escrito por: EDUARDO GOMES e MARCOS LEMOS

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