20 de outubro de 2026

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Política

ELEIÇÕES 2026: Milhões bancam a reta final das campanhas em Mato Grosso

Levantamento mostra quanto candidatos ao Governo e Senado já arrecadaram e gastaram e revela o peso dos partidos e das doações privadas no financiamento da disputa

Foto por: Reprodução

A uma semana da eleição, a corrida pelo Governo e pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado entra na reta final sustentada por milhões de reais em recursos eleitorais. Os dados declarados à Justiça Eleitoral mostram campanhas financiadas principalmente pelos partidos, mas revelam diferenças importantes sobre quem colocou dinheiro nas candidaturas e como os recursos estão sendo utilizados.

 

Entre os candidatos ao Governo, Wellington Fagundes (PL) aparece com uma das maiores arrecadações. Os registros mais recentes consultados apontam aproximadamente R$ 6,53 milhões recebidos e R$ 6,37 milhões em despesas contratadas. Desse total arrecadado, cerca de R$ 5,99 milhões têm origem partidária. Somente o PL nacional aparece com R$ 5,6 milhões.

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Otaviano Pivetta (Republicanos) apresenta modelo de financiamento diferente. A campanha já ultrapassa R$ 6,1 milhões em receitas e registra despesas contratadas na casa dos R$ 5,7 milhões nos dados disponíveis. Enquanto Wellington depende fortemente do partido, Pivetta combina dinheiro partidário, recursos próprios e volume expressivo de doações de pessoas físicas.

A médica Natasha Slhessarenko (PSD) declarou R$ 4,589 milhões em receitas. Nada menos que R$ 4,5 milhões, aproximadamente 98% do total, vieram da direção nacional do PSD. Os demais recursos são formados principalmente por R$ 52 mil colocados pela própria candidata e R$ 37 mil de três doadores.

Já Rafaell Milas (Missão) mantém campanha muito menor financeiramente. Até o último registro consultado, havia recebido pouco mais de R$ 103 mil, dos quais R$ 100 mil foram repassados pela direção nacional do partido.

WELLINGTON DEPENDE DO PL
A composição das receitas ajuda a mostrar quem efetivamente financia cada projeto eleitoral.

No caso de Wellington, aproximadamente 86% de todo o dinheiro arrecadado veio somente da direção nacional do PL.
O partido transferiu R$ 5,6 milhões. O diretório estadual também aparece entre os principais financiadores. Wellington colocou aproximadamente R$ 114 mil de recursos próprios, enquanto Rubens Pereira Fagundes doou R$ 100 mil e Jean Carlos Lopes Lino, R$ 80 mil.

A concentração significa que, de cada R$ 100 que entraram na campanha de Wellington, a maior parte teve origem na estrutura partidária.

Isso também coloca o candidato próximo do limite de gastos estabelecido pela Justiça Eleitoral para o primeiro turno da disputa pelo Governo de Mato Grosso, de R$ 7,115 milhões.

PIVETTA TEM MAIS DINHEIRO PRIVADO
Pivetta apresenta a maior diferença em relação aos adversários.
Na composição disponível, aproximadamente R$ 3 milhões vieram de recursos partidários, R$ 2,64 milhões de pessoas físicas e R$ 500 mil do próprio candidato.

Os dois maiores repasses partidários foram feitos pelo Cidadania nacional, com R$ 2 milhões, e pelo União Brasil, com R$ 1 milhão.
Fora dos partidos, aparecem contribuições de valores elevados.

Leonardo Maggi Ribeiro doou R$ 500 mil. Orcival Gouveia Guimarães aparece com R$ 350 mil, enquanto o próprio Pivetta colocou R$ 500 mil na campanha. Há ainda uma sequência de contribuições de R$ 50 mil, R$ 100 mil ou mais.

Essa composição transforma Pivetta no candidato ao Governo com maior peso relativo de financiamento privado entre as principais campanhas.

NATASHA: R$ 98 DE CADA R$ 100 VÊM DO PSD
Na candidatura de Natasha, a concentração é ainda maior do que na de Wellington.

Dos R$ 4,589 milhões arrecadados, R$ 4,5 milhões vieram da direção nacional do PSD.

Isso equivale a aproximadamente 98% de todo o dinheiro recebido.
Natasha colocou R$ 52 mil. Leonardo Slhessarenko Filho e Miguel Slhessarenko Junior contribuíram com R$ 15 mil cada, enquanto Marcus Paulo Motta Mello aparece com R$ 7 mil.

Assim, praticamente toda a capacidade financeira da campanha dependeu da decisão nacional do partido de investir na candidatura em Mato Grosso.

PUBLICIDADE E COMUNICAÇÃO CONSOMEM MILHÕES
Os gastos mostram outra característica das campanhas: comunicação, propaganda e estrutura profissional absorvem parcela importante dos recursos.

Na prestação disponível de Wellington, a produção de programas de rádio, televisão e vídeo alcançava R$ 1,53 milhão. Serviços advocatícios somavam R$ 1,1 milhão, materiais impressos, R$ 817,7 mil, contabilidade, R$ 750 mil, e impulsionamento de conteúdo, R$ 748 mil.

Na campanha de Pivetta, serviços prestados por terceiros aparecem com aproximadamente R$ 1,26 milhão. Produção audiovisual, material impresso, adesivos, advocacia e impulsionamento também figuram entre as maiores despesas.

Os números ajudam a dimensionar quanto custa manter uma estrutura estadual de campanha capaz de alcançar os 142 municípios de Mato Grosso durante poucas semanas.

SENADO
A disputa pelas duas vagas do Senado reproduz parte desse padrão, mas apresenta diferenças ainda maiores entre as campanhas.

No levantamento mais recente consolidado pelo DIÁRIO com sete das principais candidaturas, as receitas já alcançavam aproximadamente R$ 12,25 milhões, enquanto as despesas contratadas somavam cerca de R$ 12,30 milhões.

A distribuição, entretanto, é bastante desigual.

Janaina Riva (MDB) liderava a arrecadação, com R$ 3,73 milhões, seguida por Margareth Buzetti (PP), com R$ 3,24 milhões.

José Medeiros (PL) aparecia com R$ 2,39 milhões; Mauro Mendes (União), R$ 1,09 milhão; Antonio Galvan (Avante), R$ 633 mil; Pedro Taques (PSB), R$ 580 mil; e Carlos Fávaro (PSD), R$ 579 mil.

JANAINA RECEBE R$ 3,5 MILHÕES DO MDB
A campanha de Janaina ilustra novamente a força dos partidos no financiamento eleitoral.

Dos R$ 3,73 milhões recebidos no recorte analisado, R$ 3,5 milhões foram transferidos pela direção nacional do MDB.

Isso representava aproximadamente 94% da arrecadação.

As despesas contratadas estavam em R$ 1,76 milhão, deixando naquele momento quase R$ 2 milhões de diferença entre dinheiro recebido e compromissos registrados.

Em levantamento anterior, quando Janaina havia recebido R$ 3,52 milhões, somente R$ 20 mil eram provenientes de pessoas físicas.

BUZETTI TEM PESO DO PP
Margareth Buzetti apresenta composição semelhante.

Dos R$ 3,24 milhões arrecadados, aproximadamente R$ 2,98 milhões vieram da direção nacional do PP.

As despesas alcançavam R$ 2,61 milhões.

A concentração dos gastos chama atenção: dois contratos de comunicação — com a Invent Produção de Filmes e Consultoria em Publicidade e a MT360 Consultoria e Comunicação — somavam cerca de R$ 2,01 milhões.

MEDEIROS PASSA DE R$ 2,3 MILHÕES
José Medeiros declarou R$ 2,39 milhões em receitas e aproximadamente R$ 2,54 milhões em despesas no recorte analisado.

O PL nacional havia repassado R$ 1 milhão e o diretório estadual, outros R$ 370,5 mil. Entre as contribuições declaradas, aparece ainda um aporte de R$ 650 mil de Hugo de Carvalho Ribeiro.

O maior gasto individual da campanha era com impulsionamento no Facebook, no valor de R$ 500 mil.

MAURO TEM R$ 1 MILHÃO DO UNIÃO
Mauro Mendes arrecadou aproximadamente R$ 1,09 milhão.
Desse montante, R$ 1 milhão veio da direção nacional do União Brasil, mostrando uma das maiores concentrações partidárias da disputa.

As despesas contratadas chegavam a aproximadamente R$ 1,59 milhão.
Entre os principais gastos estavam gráfica, impulsionamento digital, produtoras e empresas de comunicação, além de serviços jurídicos, contábeis e de auditoria.

GALVAN SEGUE CAMINHO DIFERENTE
Antonio Galvan é uma exceção entre as campanhas analisadas.
No levantamento, havia arrecadado R$ 633 mil e contratado cerca de R$ 414 mil em despesas.

Ao contrário dos concorrentes fortemente dependentes dos partidos, sua arrecadação estava concentrada em pessoas físicas.

Felipe Bilibio, Fernando Bilibio e Rafael Bilibio aparecem com R$ 100 mil cada. Juntos, os três responderam por R$ 300 mil, quase metade de tudo que a campanha havia recebido.

Levantamento anterior já mostrava essa característica: naquele momento, a totalidade dos R$ 605,8 mil recebidos por Galvan vinha de pessoas físicas.

TAQUES E FÁVARO TÊM DESPESAS ACIMA DA RECEITA
Pedro Taques apresentava a maior diferença entre dinheiro recebido e despesas contratadas.

A campanha declarou R$ 579,98 mil em receitas, mas aproximadamente R$ 1,84 milhão em despesas.
A diferença alcançava R$ 1,26 milhão.

Dos recursos recebidos, R$ 500 mil haviam sido enviados pela direção nacional do PSB.

Carlos Fávaro apresentava situação semelhante. Sua campanha declarou aproximadamente R$ 578,7 mil em receitas e R$ 1,56 milhão em despesas contratadas, diferença próxima de R$ 980 mil.

O PSD havia transferido R$ 328,8 mil, enquanto Alexandre Pedro Schenkel aparece com contribuição de R$ 175 mil.

O fato de despesas contratadas superarem receitas não significa automaticamente irregularidade ou dívida eleitoral. As campanhas ainda podem receber recursos e a contabilidade distingue despesas contratadas das efetivamente pagas.

FUNDO ELEITORAL DEFINE O TAMANHO DA CAMPANHA
O conjunto das prestações de contas revela uma característica central da eleição de 2026 em Mato Grosso: o tamanho financeiro das principais campanhas continua sendo determinado, em grande medida, pelas direções partidárias.

Wellington recebeu milhões do PL. Natasha, do PSD. Janaina, do MDB. Buzetti, do PP. Mauro, do União Brasil.
Pivetta é a principal exceção entre os candidatos ao Governo, por combinar recursos partidários com volume significativamente maior de doações individuais.

Galvan desempenha papel semelhante na disputa pelo Senado, com financiamento predominantemente privado nos dados analisados.
O dinheiro partidário é majoritariamente associado ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundo eleitoral. Para 2026, os partidos receberam aproximadamente R$ 6 bilhões para distribuir nacionalmente entre suas candidaturas.

Na última semana da campanha, os números ainda podem mudar.

Doações podem continuar entrando, novos contratos podem ser registrados e despesas já contratadas podem ser pagas. Por isso, os valores disponíveis no DivulgaCandContas funcionam como um retrato da prestação apresentada à Justiça Eleitoral até cada atualização, e não como o custo definitivo das campanhas.

Esse número somente será conhecido depois da eleição, quando candidatos e partidos apresentarem suas prestações finais.

Fonte: DC

Escrito por: EDURADO GOMES

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