Política
Neste ano, até então, o Irã é o 28º parceiro comercial em exportações e o 72º em importações do Brasil, segundo dados do Mdic
Choques podem afetar setores específicos • Ilustração gerada por IA
Ao anunciar a balança comercial de fevereiro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços fez um alerta sobre a guerra em curso no Oriente Médio.
O conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã pode afetar o embarque de comodities alimentícias para a região, que é uma das principais consumidoras de alimentos do Brasil, principalmente de carne de aves e bovina, milho, soja e açúcar, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Ao destrinchar os dados do comércio exterior brasileiro divulgados nesta quinta-feira (5), é possível entender o tamanho que o Oriente Médio e o Irã têm para os produtores brasileiros e setores específicos. A seguir, confira seis gráficos que ajudam a entender a relação comercial do Brasil com a região.
O Brasil envia para a região produtos sobretudo da indústria de transformação e da agricultura. Carnes de aves, açúcares e melaços e milho são os três itens que compõem o pódio das principais vendas brasileiras que chegam no Oriente Médio.
Ainda aparecem na balança com a região minério de ferro, soja, ouro, óleos brutos de petróleo e café.
Segundo os dados do Ministério, o Oriente Médio representa apenas 4,2% das exportações totais do Brasil, porém é o principal destino de commodities relevantes do país.
Com base nos dados de 2025, por exemplo, os envios de milho para a região representaram 32% do total enviado para o mundo. No caso da carne de aves, as exportações para o Oriente Médio representaram 30% do total. E nas exportações de açúcar e carne bovina, os envios para a região representaram 17% e 7%, respectivamente, do total exportado.
Entretanto, apesar da possibilidade de um impacto, ele pode ser momentâneo pois não há muita elasticidade na demanda desses produtos, já que são de consumo essencial.
Mas outra preocupação que o fechamento de Ormuz gera, não só para o Brasil, mas para o mundo, é de um choque no fornecimento de petróleo e combustíveis.
Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil também importa sua cota da commodity. E quando o assunto é as importações brasileiras do Oriente Médio, óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos se destacam como a principal compra, representando 43,5% de tudo que importamos de lá.
E na relação do Brasil com a região, o Irã se destaca: o país encerrou 2025 como o terceiro maior parceiro comercial no Oriente Médio, posição que mantém no acumulado entre janeiro e fevereiro deste ano.
Participação de cada parceiro na balança regional
A pauta comercial do Brasil com o Irã não é uma das maiores. Neste ano, até então, o país é o 28º parceiro comercial em exportações e o 72º em importações, segundo os dados do Mdic.
Contudo, o Irã foi o maior importador de milho do Brasil em 2025, respondendo por 23,1% das vendas brasileiras ao exterior.
Neste ano, entre janeiro e fevereiro, já ocupa a segunda posição com 24,1% das compras. O país persa vem logo atrás do Vietnã, que responde por 24,3%.
Porém, a guerra no Oriente Médio não deve afetar as exportações de milho, uma vez que as vendas brasileiras do grão ocorrem em maior volume a partir do mês de maio.
Para além do milho, o Irã também consome em escala a soja e açúcares e melaços do Brasil.
Da outra parte, o principal produto que os iranianos colocam no mercado brasileiro é um importante insumo para o agronegócio. Em 2025, de acordo com o Mdic, o Brasil importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes do Irã.
Só entre os meses de janeiro e fevereiro, já foram importados R$ 21,6 milhões em fertilizantes do Irã, quase um terço de tudo que foi importado em 12 meses no ano anterior e uma alta de 9.720,8% em comparação com o mesmo período de 2025.
A fatia é de 1,2% de todo o grupo de "adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos)" comprados pelo país neste ano, contudo, o efeito na economia é algo a se ficar atento, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.
Como um todo, o produto é o terceiro mais importado pelo Brasil neste ano, segundo os números do Ministério. E o fluxo na região dita grande parte da produção e da logística mundial de fertilizantes, o que, por sua vez, pode ditar o preço do insumo.
"No caso dos fertilizantes, a alta internacional de preços traria efeitos importantes sobre a agropecuária brasileira, fortemente dependente das importações desse produto. O aumento do custo deste insumo encareceria a produção no campo e posteriormente os preços de alimentos in natura e industrializados", pontua a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti.
E de tudo que importamos do Irã, o adubo representa 90,4% das compras brasileiras.
Fonte: CNN Brasil, em São Paulo
Escrito por: João Nakamura
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