Política
Presidente da Assembleia Legislativa transforma partido no fiel da balança da eleição e mantém indefinido o último grande movimento capaz de alterar a corrida pelo Palácio Paiaguás
A reta final das articulações para as eleições de 2026 em Mato Grosso ganhou um protagonista inesperado, mas decisivo. A poucas horas do encerramento do prazo legal para a formação das coligações, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Max Russi (Podemos), passou a ocupar o centro das negociações entre os dois principais grupos que disputam o Palácio Paiaguás. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, e o senador Wellington Fagundes (PL) intensificaram os movimentos para atrair o Podemos, transformando a definição da legenda no principal fator político ainda capaz de alterar o equilíbrio da sucessão estadual. A decisão deverá ser anunciada nesta quarta-feira (5), último dia permitido pela Justiça Eleitoral para a formalização das alianças.
O cenário demonstra que a disputa pelo Governo de Mato Grosso deixou de se limitar aos nomes colocados na corrida eleitoral e passou a envolver, sobretudo, a capacidade de cada candidatura ampliar sua estrutura política e territorial. O interesse em Max Russi extrapola sua liderança pessoal. Sob sua presidência, o Podemos consolidou uma das chapas proporcionais mais competitivas do Estado, reunindo candidatos considerados fortes tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados. Essa estrutura representa um importante ativo eleitoral, capaz de fortalecer campanhas majoritárias em praticamente todas as regiões mato-grossenses, ampliando a presença política e a mobilização durante o período eleitoral.
O próprio Max Russi reconheceu, durante a convenção estadual do partido, que a decisão da Executiva vai além do destino da legenda. Segundo ele, a escolha interfere diretamente na caminhada de 34 candidatos, sendo 25 postulantes à Assembleia Legislativa e nove à Câmara Federal, além de influenciar centenas de lideranças políticas distribuídas pelo Estado. Nos últimos anos, Russi fortaleceu sua capacidade de articulação à frente da Assembleia Legislativa, estreitando relações com prefeitos, vereadores, lideranças regionais e representantes de diversos segmentos da sociedade. Essa rede política tornou o Podemos um dos partidos mais cobiçados na reta decisiva das negociações eleitorais.
Na oposição, Wellington Fagundes fez sucessivos gestos públicos para convencer Max Russi a integrar sua coligação. O senador chegou a anunciar que a vaga de vice-governador permaneceria reservada ao Podemos, afirmando que o empresário Marcelo Maluf abriria mão da indicação caso o partido decidisse aderir ao projeto político liderado pelo PL. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, também reforçou o convite, assegurando que a legenda teria protagonismo dentro da composição formada por PL, MDB, PRD, Novo e Solidariedade. O discurso da oposição busca demonstrar que o Podemos teria espaço estratégico na construção de um eventual novo governo.
No campo governista, a estratégia seguiu outro caminho. Embora Otaviano Pivetta já tenha oficializado o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador, o governador afirmou que as negociações com Max Russi permanecem abertas até o encerramento do prazo eleitoral. A avaliação do grupo é de que a adesão do Podemos fortaleceria significativamente a campanha, ampliando a capilaridade política do projeto de reeleição. Analistas políticos observam que, em um estado de dimensões continentais como Mato Grosso, partidos com chapas proporcionais robustas oferecem uma vantagem estratégica importante, ao expandirem a presença das campanhas nos municípios e ampliarem o alcance das candidaturas majoritárias.
Independentemente do desfecho das negociações, o processo já evidencia uma mudança significativa no tabuleiro político estadual. Com as candidaturas ao Governo e ao Senado praticamente consolidadas, o apoio do Podemos tornou-se o último grande movimento capaz de modificar o desenho da sucessão mato-grossense. A decisão aguardada para esta quarta-feira não definirá apenas o posicionamento de Max Russi e de seu partido, mas também indicará qual dos dois principais projetos políticos chegará ao início oficial da campanha com a estrutura partidária mais ampla e competitiva para enfrentar a disputa eleitoral de outubro.
Fonte: MT É NOTÍCIA
Escrito por: Redação
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