27 de setembro de 2026

Nova Ubiratã

Política

Na AL, secretário de Saúde nega desmonte do Samu e defende serviço integrado com bombeiros

Durante o encontro, servidores voltaram a apontar sucateamento do Samu e prejuízo à população

O atual secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, compareceu à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso na manhã desta quarta-feira (22) para prestar esclarecimentos sobre a questão dos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Durante o encontro, Melo destacou que a ideia do Governo do Estado não é desmontar o Samu e também discutiu o termo de cooperação técnica firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde e o Corpo de Bombeiros, que, segundo o secretário, tem por objetivo ampliar a cobertura do Samu por Mato Grosso, realizando a integração dos trabalhos.

"Hoje nós temos o Samu em 24 municípios e um projeto de ampliação para mais 28. No entanto, isso representa quase 60% dos municípios que não têm atendimento pré-hospitalar. Com a cooperação com o Samu, a gente passa a aumentar bem essa cobertura, porque a gente padroniza tanto o comando do pré-hospitalar como também os tempos de resposta", afirmou o Juliano.

Melo pontua que a integração entre o Samu e o Corpo de Bombeiros representa uma forma de otimizar o trabalho realizado.

"Se eu tivesse que implantar o Samu em todos esses outros 60 e tantos municípios, por conta própria, quanto isso não ia custar ao Estado? Eu já tenho esse serviço dos bombeiros instalado na maioria desses municípios. O que impede essas equipes de se integrar a esse sistema como um todo? A gente gasta em torno de R$ 5 milhões por mês com o Samu. Acredito que, se fosse fazer esse tipo de serviço, nós estaríamos falando aí na casa dos R$ 30 milhões por mês, para manter nesta estrutura, se fosse sozinho, isolado", argumentou o secretário.

Quando questionado sobre a demissão de 56 servidores do Samu, Melo rebateu que esse não é o número de contratos que foram, de fato, encerrados. O secretário explica que, ao passar pela reestruturação, a secretaria notou a presença de equipes "maiores do que o necessário" e decidiu não pela demissão, mas sim pela não renovação de contratos que são temporários. Ainda assim, segundo Melo, foi realizado um trabalho de realocação.

O secretário afirma que, atualmente, 38 funcionários tiveram os contratos não renovados, enquanto o restante passou pela renovação - ou no próprio Samu ou em outras unidades.

Servidores do Samu se posicionam

Durante a reunião, os servidores do Samu também trouxeram demandas para a pauta. Foram tratadas questões como a negligência com relação aos investimentos na categoria pelos últimos sete anos, que levaram a problemas como falta de funcionamento de unidades e baixa de pessoal.

Além disto, foi feito também o apontamento de unidades que não estão funcionando no município de Cuiabá, o que afetaria diretamente o atendimento à população.

Em entrevista coletiva pós-reunião, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma/MT), Carlos Mesquita de Magalhães, cobrou responsabilidade estatal para com os servidores.

"Nós não somos contra a integração. Mas quando você, em Cuiabá e Várzea Grande, tem 12 unidades e hoje 5 estão sem funcionar, aí não é integração. É um desmonte. Nós mostramos aqui hoje na Comissão de Saúde, através dos slides, e o secretário não falou nada. Por que ele não falou nada? Porque é verdade. O que aconteceu? Eles investiram no Corpo de Bombeiros, investiram em pessoal, estrutura, equipamento e, em consequência, o Samu foi jogado às traças. Sabe por que, na verdade, nós estamos sem funcionar? Falta de pessoal", manifestou o presidente.

Encaminhamentos

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (Republicanos) encaminhou, junto aos demais membros, a revisão das demissões, a investigação da desativação das unidades e o debate sobre a inclusão dos serviços no termo de cooperação junto à SES.

Fonte: RD NEWS

Escrito por: Thalita Queiroz e Kleyton Agostinho

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