04 de agosto de 2026

Nova Ubiratã

Política

Pedro Taques vive a mesma crise política que Júlio Campos viveu há 30 anos

Foto por: Divulgação

A debandada dos partidos de apoio ao governador Pedro Taques (PSDB) aconteceu da mesma forma como aconteceu há trinta anos em relação ao governador Júlio Campos. A “Emenda Dante de Oliveira” não passou pelo Congresso Nacional em 1984, mas o movimento fortaleceu o PMDB, e fez ruir o PDS, partido do presidente Figueiredo. 

Para Júlio Campos, que combateu as “Diretas Já” com o singelo argumento de que o país não agüentava mais eleições diretas, e que tinha sido aliado do governador paulista Paulo Maluf contra Tancredo Neves, a única saída era pular do barco do PDS.

O problema de “Julinho” era ser recebido por algum partido. Após o fracasso de um governo “jovem e técnico”, e que mesmo com safras recordes e dólares jorrando do exterior, tinha baixa popularidade, ao ponto de correr do povo, e ter a fama de corrupto. Isso porque contava com a mídia local, sempre amiga, que nada noticiava, a não ser quando estouravam escândalos, e todos deixavam de fora o nome do governador como responsável ou beneficiário.

Além da mídia, também contava com apoio do Judiciário, que na época controlava o Ministério Público. Mas mesmo assim, Julio Campos enfrentava a raiva do povo, ao ponto de freqüentar a missa de madrugada, para evitar que os fiéis o atacassem com ovos, como declarou na época. E para piorar, os adversários andavam com uma cópia de um relatório do SNI (a ABIN da época), relatando as estripulias de “Julinho”.

O governo do PDS estava naufragando, então procurou outros partidos que quisessem acomodar algumas dezenas de pedesistas e mais 200 mil votos dos mato grossenses, de um universo de 600 mil eleitores. O que não era muito para agregar ao novo partido. 

Primeiro recebeu convite do PTB, mas Jânio Quadros se assustou com a fama de “Julinho”, e lavou as mãos. Depois procurou o PDT, de Leonel Brizola, com quem tinha feito uma aliança na eleição para prefeitura de Cuiabá, mas a executiva regional não permitiu. A executiva regional do PFL também criou embaraços, especialmente Bento Porto.

Mas Júlio Campos fez a filiação na executiva nacional do PFL, e esperou que alguém de Mato Grosso questionasse, e isso não aconteceu. Então se filiou ao PFL, “por decurso de prazo”, como disse na época, e levou junto dezenas de correligionários do PDS. Em nível nacional ficou apenas o governador baiano ACM. Por fim, acabou o PDS, e Júlio Campos seguiu na política como deputado constituinte e depois como senador. 

Pedro Taques está na mesma encruzilhada de Julio Campos. O partido do governador, o PSDB, pós impeachment de 2016, e de Aécio Neves, é o mesmo PDS daquela época, frágil e quase desaparecendo, incapaz de manter alianças com os demais partidos. E o partido é apenas um detalhe.

Da mesma forma que ocorreu com Julio Campos, o governador Pedro Taques também se embaraça com sua equipe técnica, em especial com a arrecadação fazendária e o planejamento orçamentário. E para piorar, os esqueletos ainda nem saíram do armário.

O único trunfo de Pedro Taques, além de controlar a caneta do Executivo (a mesma que Julio Campos mostrou aos professores grevistas, ameaçando demití-los), é a fama de honesto. A honestidade de Pedro Taques ainda não saiu da cabeça do eleitorado, e sempre é relembrada, pelo menos até o momento.

Fonte: MUVUCA POPULAR

Escrito por: MUVUCA POPULAR

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