Política
Governador afirma que adversários atuam de forma combinada contra sua candidatura, mas não apresenta prova de acordo entre as campanhas; no mesmo dia, reafirma apoio a Flávio Bolso
O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), elevou o tom contra os adversários Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) e afirmou que os dois estariam atuando de maneira combinada para desgastar sua candidatura ao Palácio Paiaguás. A declaração foi feita nesta quinta-feira (24), durante ato político em Cuiabá.
“Eles são da mesma origem, são parecidos, têm fundamentos comuns. Eu acho que eles estão, sim, combinados para me atacar, denegrir minha imagem”, declarou Pivetta.
A existência dessa suposta atuação coordenada, entretanto, é uma avaliação política feita pelo próprio governador durante a campanha. Nas declarações divulgadas, Pivetta não apresentou provas de um acordo formal entre as campanhas de Wellington e Natasha para atacá-lo.
Pivetta foi além da acusação de “dobradinha” e procurou aproximar politicamente os dois concorrentes.
Para sustentar sua argumentação, recorreu ao histórico eleitoral de 2018 e afirmou que Wellington e Natasha teriam a mesma origem e formação política.
“Eles são da mesma origem, basta ver em 2018 quem eles apoiaram quando nós nos elegemos aqui a primeira vez. Nós apoiamos Bolsonaro e eles não. Eles são da mesma origem, eles vêm da mesma base política, formação ideológica”, declarou.
A aproximação feita pelo governador é uma interpretação política de Pivetta. Na disputa atual, Wellington e Natasha ocupam alianças distintas, e Wellington é filiado ao PL, mesmo partido do candidato presidencial Flávio Bolsonaro.
Pivetta afirmou ainda que percebe, ao longo da campanha, uma dinâmica na qual as críticas feitas por um adversário acabamariam beneficiando politicamente o outro.
“Então, é normal que eles se encontrem e eu vejo que eles estão trocando, um levanta a bola para o outro. Vejo que eles estão numa combinação que eu espero que continuem, porque o povo está vendo que são uma coisa só”, afirmou.
A acusação também foi registrada por outros veículos que acompanharam o ato eleitoral. Pivetta afirmou que não pretende abandonar os debates nem transformar a reta final da disputa exclusivamente em confronto com os adversários.
Segundo o governador, a campanha continuará priorizando a apresentação das ações de sua gestão e suas propostas para um eventual novo mandato.
“Eu vou deixar eles continuarem enquanto eu faço minhas propostas e mostro o meu trabalho. Nós temos uma história consolidada para contar e temos credibilidade para propor para o povo de Mato Grosso mais quatro anos de prosperidade”, declarou.
A declaração chama atenção também por outro componente da eleição de 2026: Pivetta e Wellington são adversários pelo Governo de Mato Grosso, mas manifestam alinhamento com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Wellington pertence ao próprio PL.
Pivetta, apesar de disputar a reeleição pelo Republicanos, também reafirmou nesta quinta-feira seu apoio a Flávio.
A manifestação ocorreu depois de o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) criticar Flávio Bolsonaro durante agenda eleitoral em Cuiabá.
“O nosso candidato é o Flávio Bolsonaro. Ele simboliza o contrário do que está aí”, declarou Pivetta.
Durante sua passagem por Cuiabá, Cury direcionou críticas tanto a Flávio Bolsonaro quanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e procurou apresentar sua candidatura como alternativa aos dois campos políticos.
Ao falar especificamente de Flávio, questionou sua experiência nos setores produtivos.
“O eleitor de Mato Grosso deve deixar Flávio Bolsonaro porque o Flávio nunca plantou uma horta, não entende agricultura. Flávio nunca montou uma empresa digna, substancial e não entende do comércio”, declarou Cury.
As declarações representam a avaliação política do candidato do Avante. Experiência empresarial ou no setor agrícola, isoladamente, não determina a capacidade de uma pessoa para exercer a Presidência da República.
Pivetta não acompanhou as críticas e reiterou seu apoio ao candidato do PL.
O episódio evidencia uma configuração peculiar da eleição mato-grossense.
Pivetta tenta colocar Wellington e Natasha politicamente próximos ao acusá-los de uma atuação combinada contra sua candidatura. Ao mesmo tempo, o próprio governador e Wellington, adversários diretos na corrida ao Palácio Paiaguás, mantêm apoio público ao mesmo candidato presidencial.
A disputa estadual e a eleição presidencial, portanto, produzem alianças e confrontos que não seguem necessariamente a mesma divisão partidária.
Se existe efetivamente coordenação entre Wellington e Natasha, como sustenta Pivetta, é algo que não pode ser estabelecido apenas pelas declarações do governador.
O que está documentado até agora é a acusação política feita pelo candidato à reeleição — e a elevação do confronto entre os principais nomes da disputa pelo Governo de Mato Grosso na reta final da campanha.
Fonte: MT É NOTÍCIAS
Escrito por: Redação
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