21 de abril de 2026

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Política

SUBMISSO: Flávio Bolsonaro oferece terras raras à ultradireita nos EUA

Em discurso em evento de conservadores, senador posiciona minerais críticos do Brasil como ativos da segurança norte-americana em troca de apoio nas eleições

Diante de uma plateia de ultradireita, Flávio Bolsonaro oferece terras raras para indústria militar norte-americana e pede que o ajudem na eleição

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República inaugurou a agenda internacional com um gesto que, para analistas de geopolítica, soa como um leilão da soberania nacional. No último sábado (28), diante de uma plateia de ativistas e líderes da ultradireita norte-americana na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC – Conservative Political Action Conference), no Texas, o parlamentar ofereceu o subsolo do território brasileiro como peça de reposição para a segurança militar norte-americana. 

O tom do discurso, marcado pela retórica de “campo de batalha”, sugere uma transação política clara: o reconhecimento e o apoio do movimento MAGA à sua candidatura em troca da garantia de que o subsolo brasileiro servirá prioritariamente aos interesses militares e tecnológicos de Washington.


O Brasil como Almoxarifado do Pentágono

O centro da fala de Flávio Bolsonaro repousa sobre a instrumentalização dos recursos naturais. Ao declarar que “o Brasil é a solução da América para quebrar a dependência da China em minerais críticos”, o senador abdica da agência política de Brasília, transferindo-a para o Departamento de Defesa dos EUA. A transcrição ipsis litteris de fala do filho de Jair Bolsonaro não deixa margem para ambiguidades: ele vincula a “inovação tecnológica americana” e a “superioridade militar” das potências estrangeiras à exploração das terras raras brasileiras. Na prática, o que está em jogo é a oferta de um suprimento estável para que a revolução tecnológica e a segurança nacional norte-americana avancem, posicionando o Brasil como mero protetorado de recursos em meio à nova Guerra Fria entre Washington e Pequim.


A Fluidez da Dependência: Do Extrativismo à Periferia

Essa visão de mundo promove uma reedição perigosa do modelo de desenvolvimento dependente. Em vez de utilizar as terras raras como alavanca para uma industrialização soberana — desenvolvendo semicondutores e tecnologias de refino em solo nacional —, o projeto bolsonarista prefere a “armadilha do extrativismo”. O fluxo econômico proposto condena o país à primarização: exportamos o minério bruto para alimentar a indústria alheia e importamos, a preços de ouro, o componente tecnológico acabado.
Esse ciclo não apenas mantém a balança comercial brasileira refém do valor agregado estrangeiro, como perpetua a fragilidade do Real frente ao Dólar, mantendo o país na periferia do capitalismo global como fornecedor de insumos básicos.


Desalinhamento Soberano e a Falácia do “Mundo Livre”

A submissão política se completa com a adoção da retórica de “Mundo Livre”, uma narrativa que tenta coagir o Brasil a um alinhamento automático e ideológico. Ao afirmar que a vulnerabilidade dos Estados Unidos representa a vulnerabilidade de todo o mundo, o senador ignora que a verdadeira soberania brasileira reside na multipolaridade e na neutralidade ativa. O interesse nacional exigiria que esses recursos fossem o alicerce de uma Base Industrial de Defesa (BID) autônoma, e não um subsídio para a manutenção da hegemonia de terceiros. Enquanto o discurso na CPAC prega o alinhamento total contra a China, a realidade da soberania brasileira demanda um comércio diversificado com o Brics e o controle do ciclo completo de produção — da mineração ao refino — para que a riqueza gerada permaneça no país.


A Moeda de Troca

A participação de Flávio Bolsonaro na CPAC revela o que pode ser considerado o “preço” do apoio internacional à campanha dele: a promessa de uma gestão entreguista. Ao se apresentar como o garantidor da segurança militar alheia, o pré-candidato sinaliza que, sob sua liderança, o Brasil não buscaria ser uma potência tecnológica, mas sim um coadjuvante estratégico. O que foi negociado no Texas não foi apenas o acesso a minerais, mas a soberania do Estado brasileiro em decidir o próprio futuro geopolítico.
 

Fonte: PORTAL CSPB

Escrito por: Davi Molinari

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