14 de maio de 2026

Nova Ubiratã

Saúde

Uma geração sem cigarro é possível?

Enquanto o Reino Unido proíbe o cigarro para as próximas gerações, o Brasil vê o tabagismo voltar a crescer e enfrenta novos desafios, sobretudo entre os jovens

Reino Unido proibiu a venda de cigarros para todas as pessoas que nasceram a partir de 1º de janeiro de 2009. Essa proibição vai continuar a valer mesmo quando elas se tornarem adultas - para vida toda.

Agora só falta a assinatura do rei. Essa nova lei contra o tabagismo conseguiu aprovação nas duas casas do Parlamento. A expectativa é de que entre em vigor na semana que vem. O projeto estabelece uma proibição vitalícia sobre a compra de tabaco para todas as pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009. Essa turma hoje tem 17 anos ou menos. E, pela nova lei, jamais poderá comprar cigarros legalmente no Reino Unido - ou seja, na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Hoje, o único país com legislação similar é Maldivas.

A venda de cigarros eletrônicos, os vapes, continua proibida para menores de 18 anos. E a nova lei vai aumentar as restrições na comercialização e no consumo desses itens pelos adultos. O uso de vape, por exemplo, fica proibido perto de escolas, hospitais e dentro de carros que estiverem transportando crianças.

 

“O objetivo é criar uma geração livre dos vícios do fumo. É a maior intervenção dos últimos tempos na saúde pública. Isso vai salvar vidas”, afirma Gillian Merron, representante da Casa dos Lordes.

 

Esse projeto conseguiu amplo apoio no Parlamento e uniu rivais históricos: governistas e oposição. Ele foi proposto pelo Partido Conservador, durante o governo de Rishi Sunak, e seguiu como prioridade na atual gestão do primeiro-ministro Keir Starmer, que é do Partido Trabalhista.

O governo britânico afirma que o cigarro é hoje a principal causa de mortes evitáveis no país e está associado a mais de 400 mil admissões hospitalares. É um vício que pressiona o sistema público de saúde britânico e que gera um custo anual de mais de 3 bilhões de libras — R$ 21 bilhões. Dinheiro que sai do bolso do contribuinte.

No Brasil, a venda de cigarros é proibida para menores de 18 anos. A Anvisa também proíbe a venda, importação e publicidade de dispositivos eletrônicos de fumar, os vapes, para todas as idades.

André Szklo é pesquisador do Instituto Nacional do Câncer. Ele diz que a legislação do Reino Unido pode servir de exemplo para outros países porque há um aumento do consumo de nicotina em novos dispositivos, como os cigarros eletrônicos:

 

“O que a gente observa é que está tendo uma epidemia, principalmente entre os jovens adolescentes, dessa dependência de nicotina. O adolescente começa a usar esse produto e os problemas de saúde vão se acumulando ao longo do tempo: doenças pulmonares, doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer. A gente tem também os desfechos materno-infantis. No caso dos vapes, a gente tem, inclusive, doenças respiratórias agudas que estão acometendo, inclusive, os jovens muito mais cedo, não precisar chegar à idade adulta”, afirma
Enquanto isso, o Brasil interrompeu a trajetória de queda do tabagismo: após estagnar desde 2019, o número de fumantes no país voltou a subir em 2024. Hoje, 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional, contra 9,3% em 2023.

Os dados são da pesquisa preliminar anual da Vigitel, a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. O aumento de 25% acende um alerta, especialmente no contexto de popularização dos cigarros eletrônicos. 

Fonte: G1

Escrito por: Natuza Nery

Somos o Ubiratã News, um site de notícias que tem o prazer
em dar a notícia, receber as opiniões de vocês amigos
leitores, onde podemos debater ideias